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segunda-feira, 26 de junho de 2017

REALISMO MORAL E REALISMO SOCIAL ( Parte 1)

1.- MORAL E REALISMO MORAL
     Expliquei na teoria, que tentei apresentar, do progresso, como o progresso tinha o seu princípio na justiça, como na justiça como em qualquer outro desenvolvimento politico, econômico, literário, filosófico, se tornaria subversivo e dissolvente, e ainda, como ideal nos fôra dado para nos levar a justiça; mais expliquei como, se este mesmo ideal, em vez de servir auxiliar e de instrumento de direito, fosse, ele próprio, tomado como regra e objetivo da vida, haveria imediatamente, para a sociedade, decadência e morte. Numa palavra: à justiça, subordinei o ideal. (Pornocratie, cap. V)
     A moral é o conjunto das normas que têm como objetivo a perseverança na justiça. É noutros termos, o sistema de justificação, a arte de o homem se tornar santo e puro pelas obras, ou seja, ainda é sempre: o progresso ... (Philos. du Progrês, 1.º estudo.)
     Não são os homens que governam as sociedades, mas os princípios; na falta de princípios, são as situações.
     A França perdeu os seus costumes.
     Pelo cepticismo, o atrativo puramente moral do casamento, da geração, da família, o atrativo do trabalho e da cidade, uma vez perdidos, dá-se a dissolução do ser social... Ciência e consciência da justiça... eis o que falta.

A. CIÊNCIA E CONSCIÊNCIA DA JUSTIÇA
     Para formar uma família, para que o homem e a mulher encontre alegria e a calma a que aspiram, sem quais aproximados apenas pelo desejo, eles  nunca estarão sempre incompletamente unidos, é precisa uma fé conjugal, entendendo eu por isso uma ideia da sua dignidade mútua...
     Do mesmo modo para formar uma sociedade, para dar aos interesses das pessoas e das famílias a segurança - que é a sua primeira necessidade, sem a qual o trabalho não se aceita, a troca dos produtos e dos valores se torna uma burla, a riqueza uma cilada para quem a possui - é preciso aquilo que eu chamaria uma fé jurídica...
     Do mesmo modo ainda, para formar um Estado, para conferir ao poder adesão e estabilidade, é precisa um fé política, sem a qual os cidadões, entregues às puras atrações do individualismo, não sabiam, seja o que for fizessem, ser outra coisa que não fosse um agregado de exigências incoerentes e repulsivas... É pois preciso que a Justiça, nome pelo qual designamos está parte da moral que caracteriza o indivíduo em sociedade, para se tornar eficaz, seja mais uma ideia, é preciso que seja ao mesmo tempo uma realidade. É preciso que ela aja não só como noção da razão, relação econômica, fórmula de ordem, mas ainda como força da alma, forma dá vontade, energia interior, instinto social, análogo para o homem aquele instinto comunista que observamos nas abelhas. Há razões para se pensar que, se a Justiça permaneceu até hoje impotente, é porque, como faculdade, força motriz, a menosprezamos completamente, porque desprezamos a sua cultura, porque ela não caminhou, no seu desenvolvimento, ao passo da inteligência; enfim, porque a tomamos por uma fantasia da nossa imaginação ou impressão misteriosa duma vontade estranha. É preciso pois que ela apareça finalmente como o princípio, o meio e o fim, a explicação e a sanção do nosso destino. (Justice, Philips. Popular.)
B. A moral, realidade social

     Imanência e realidade da justiça na humanidade, tal é o grande ensinamento... A moral... Expressão da liberdade e da dignidade humana, existe por si própria; ela não depende de nenhum princípio; domina toda a doutrina, toda a teoria...
     É no comando da vossas ideias e até a prova dá vossa certeza...
     A justiça e em vós ao mesmo tempo realidade é pensamento soberano... ( Lá Guerre et la Paix, concl. geral.)
     A moral-e a sua correlativa, a estética — é coisa Sui generis: não é um produto do pensamento puro ou da razão, como a teologia... É uma revelação que a sociedade, o coletivo, faz ao homem, ao indivíduo. — Tornar-se Impossível deduzir a moral, quer da higiene, quer da economia, quer da metafísica ou teodiceia, como o fizeram, sucessivamente, os materialistas, os utilitaristas, os cristãos dogmáticos, tais como Bossuet, etc. A moral resulta doutra coisa. Esta outra coisa, a que uns chamam consciência, outros razão prática, etc., é, para mim, a essência social, o ser coletivo que nos contém e que, pela sua influência, pelas suas revelações completa a constituição da nossa alma...
     Não comentam essa grande imoralidade de fazer da moral uma coisa noológica. Seriam forçados, mais tarde ou mais cedo, a reconhecer que essa pretensa moral não tem, nem o princípio, nem o valor, nem o objetivo, nem função. (Lettre à Cournot, 31 de Outubro de 1853.)

C. Estética e moral social

     
Aquilo que a moral revela à consciência sob a forma de normas, a estética, tem por objetivo mostrá-la aos sentidos sob a forma de imagens... São dois aspectos da nossa educação, ao mesmo tempo, sensíveis e intelectuais, que se tocam na consciência e que só diferem no órgão ou na  faculdade que lhes serve de veículo. Aperfeiçoar-se pela justiça... desenvolvendo-a na sua verdade integra, tal é o objetivo indicado ao homem pela moral. Aperfeiçoar-se pela Arte, depurando incessantemente, à semelhança da nossa alma, as formas que nos rodeiam, tal é o objetictivo da estética. (Philos. du Prog., 2º lettre.)
     O que é arte e qual é o seu objetivo social?
     Uma representação idealista da natureza e de nós próprios, com fim ao aperfeiçoamento físico e moral  da nossa espécie...(Du Principe de I'Art, cap. XII.)
     O objetivo da Arte é ensinar-nos a juntar o agradavel ao util, em todas as coisas da nossa existência, e através disso, contribuir para a nossa dignidade.(Du Principe de I'Art, cap. XXIII.)
     A Arte, isto é, a procura do belo, a perfeição do verdadeiro no homem, na mulher e nos filhos; nas ideias, discursos, ações; nos produtos: tal é a ultima evolução do trabalhador... A estética e, acima da estética, a moral: eis a pedra angular do edifício economico. (Contr. Êcon., Cap XIII.)
     A Arte, como a literatura, é a expressão da sociedade, e quando não existe o seu aperfeiçoamento, existe a sua ruína. (Pr. Art., cap. X.) A Arte deve participar no movimento da sociedade, provoca-lo e seguilo. Foi por ter menosprezado este destino da Arte, por ter reduzido somente a expressão deuma realidade quimérica, que a Grécia perdeu a compensação das coisas e o captro das ideias. (Philos. du Prog., 2ª lettre.)
     É possível uma estética, uma teoria da arte?
     -A Arte é a própria liberdade, restabelecendo à sua vontade, e em vertude da sua própria glória, a fenomenalidade das coisas, executando variações sobre o tema concreto da natureza.
     -A Arte, assim como a liberdade, tem pois como materia o homem e as coisas; como objetivo, reproduzi-lo ultrapassando-os; como fim ultimo, a justiça.
     -Para decidir da beleza das coisas - noutros termos: para as idealizar - é preciso conhecer as relações entre as coisas... o ideal é dado pelo real; ele tem a sua base, a sua causa, a sua força de desenvolvimento real, no real.
     -A Arte é solidária com a ciência e a justiça: eleva-se com elas e declina ao mesmo tempo que elas. (Justice, Prog.et Décadence.)

D. Sanção moral e solidariedade social

     Em virtude da solidariedade moral que une os homens, é raro que um acto de prevaricação seja completamente isolado e que o prevaricador não tenha por cúmplice, direto ao indireto, a sociedade e as suas instituições. Somos todos, uns mais outros menos, culpados uns para com os outros, e o que diz Job não é verdadeiro: pecador perante Deus, estou inocente perante os homens. Nesta comunidade consciência, sendo a Justiça recíproca, é-o também a sanção; a reparação deve comportar-se do mesmo modo. Quais são as causas, os pretextos, se tal quisermos, que arrastaram o acusado? que injustiça, que tolerância, que favor o provocou? que mau exemplo lhe foi dado? que omissão, que contradição do legislador atormentou a sua alma? De que ofensas,  - seja parte da sociedade, seja da parte dos particulares - Se lamenta ele? quais as vantagens, dependentes da vontade pública, de que não goza?... Eis o que o Juiz de instrução deve investigar, com tanto cuidado como as próprias circunstâncias do crime ou delito...(Justice, Sanction morale.)

Extraído:

Livro: A Nova Sociedade
Autor: Proudhon
Editora: Rés (colecção Substância)
Paginas: 257 á 262

Sobre princípios anarquistas

O processo de organização revolucionário é desenvolvido ao longo das gerações, as vezes mesmo tendo que começar quase do zero.
Em muitos casos é a repressão ou mesmo profundas divergências que não resolvidas da forma libertária, leva a dissolução dos grupos e o afastamento dos indivíduos do anarquismo. Isso só leva a reforçar a necessidade e convicção de não aceitar o estado de exploração e opressão reinante e nem a submissão aos grupos dominantes de esquerda ou direta, que sustentam modelos autoritários e centralistas.

Afirmamos que nossos princípios são compromissos de luta de nossa classe, dos oprimidos e explorados. Oriundas desses grupos, sofremos a miséria e estamos indignadas com essa situação e nos organizamos para o enfrentamento, de modo a não abrir mão do anarquismo e nem dos princípios que o caracteriza.

A luta de emancipação de obra de todas, unamo-nos!

I-Luta Popular:

Os diversos conflitos que se fazem nesse país é uma luta de classes opostas, com interesses opostos (pessoas dominantes X pessoas dominadas).

Não se trata de uma luta relacionada ao nacionalismo, mas sim contra uma burguesia e elites agrárias, urbanas e econômicas que exploram a população trabalhadora e oprimem os grupos populares. O conflito é social, é uma questão social e diante do avanço popular, de suas demandas, a burguesia reage cada vez mais violentamente.

Portanto a luta popular só terá apoio das classes que se opõem à opressão, que são do próprio povo.

A luta popular acontece quando no processo de resistir, barrar e acabar com a exploração dos grupos privilegiados, o povo se compõem em força política. Estabelece em grupo de forma organizada como resposta à repressão, reunindo esforços para difundir, por todos os atos, a idéia revolucionária a toda classe oprimida e explorada, inclusive aos que estejam iludidos com a validade e eficácia do modelo legal estatal.

As táticas e estratégias devem atender aos objetivos definidos pelo povo, por nossa classe. O meio que esta se desenvolve refletirá no final almejado, por isso é importante manter os meios e o fim almejado. Não adotamos qualquer meio para chegar a um fim, por que isso é um beco sem saída. Queremos liberdade já e não como um fim, já faz parte do meio de se chegar a ela. Com escravidão não se chega a liberdade!

II-Apoio Mutuo

Cada um tem necessidades que nem sempre são atendidas por sua própria capacidade, por isso é importante a ajuda e apoio dos outros para realização e satisfação de suas necessidades.

Geralmente isso leva as pessoas se unirem, a se associarem para buscar satisfazer suas necessidades. A união de indivíduos diferentes somam forças e aumentam as possibilidades de ação mutua, de um apoiar o outro, fortalecendo a relação. O apoio mútuo não significa a formação de uma hierarquia e nem abuso entre os participantes., porque todos estão em pé de igualdade, são cooperadores, são companheiros de luta.

Em modelos autoritários, a cooperação não existe em sua amplitude, mantendo a hierarquia e centralismo de ação, a manutenção da desigualdade e apego ao individualismo egoísta, que isola cada um e cria competição entre os participantes.

O princípio de apoio mutuo luta contra as condições desfavoráveis de classe ( e mesmo de espécies) e devem ser levadas sem restrição em favor da ajuda mutua para alcançar experiências intelectuais e de hábitos sociais em concepção moral e ética libertária.

III- Solidariedade Revolucionária

Se pretendemos a emancipação de todos, devemos ter em conta que temos um inimigo comum para resistir. Logo é necessário estabelecer múltiplas atividades humanas, constituídas de forma coordenada e solidária.

Com essas ações, se desenvolve a luta contra a opressão e exploração, reforçando o processo emancipatório da proposta revolucionária.

Isso se dá em meio a um compromisso com a luta libertária, com o anarquismo, com seus princípios e a convicção de liberdade para todos, sem exceção. Essa solidariedade deve crescer acima do processo do capital, trazendo uma reeducação para a vida coletiva entre iguais.

Não se pode se conformar com a situação e sempre buscar a melhoria de todos. A solidariedade é o auxílio econômico, político, moral e humano. Em muitos períodos da história, a solidariedade “revolucionária” das classes exploradas tem-se feito presente na conquista de seus direitos, na melhoria de suas condições de vida contra a exploração patronal, do estado e toda espécie de exploração. Como na greve geral de 1917, quando as organizações se solidarizaram para conquistar seus direitos. Como nos quilombos, onde negros, índios e caboclos se solidarizaram na luta por liberdade. Atualmente, as resistências contra as desocupações violentas e arbitrárias da PM, unem vizinhos na luta por sua moradia.

No decorrer da história, a união solidária da classe explorada a torna mais firme e ciente de sua luta e na busca de sua emancipação.

IV-Ação Direta

É a ação exercida pelos oprimidos. É o esforço direto, que cada indivíduo exerce de forma direta contra e sobre as forças que o domina sem intervenção de “atravessadores de qualquer espécie” (políticos, parlamentares, líderes, chefias …), a pressão necessária para obter o que lhe é devido.

Significa a reação constante dos oprimidos contra a ordem atual criando próprios meios de ação. Rebela-se contra a sociedade de cidadãos, até seu produtor. Envolve então a personalidade humana e sua iniciativa, opondo-se à força conservadora da democracia representativa e ao caráter passivo e imobilizador da democracia burguesa.

Deve também conquistar o acordo com outros indivíduos e grupos de ação direta na sua conjuntura. Porém ela será intensa ou será reduzida segundo os acordos, recursos e a necessidade real de cada região.

A ação direta deve manter-se em constante oposição frente ao opressor, incorporando métodos revolucionários e de negação ao colaboracionismo pelego, a harmonia social do capital. A colaboração com os reformistas significa enfraquecer a luta popular de emancipação. A ação intrinsecamente relacionados aos fins e que os procedimentos finalistas podem podem prejudicar o conjunto de novas ações em médio e a longo prazo. Portanto deve haver o bom senso nas ações que comprometam a luta libertário e a união do MLB.

Trata-se de um passo importante para formação de uma dignidade coletiva, à medida que o povo tem o direito de exercer o seu desenvolvimento. Serve-se para solução de conflitos e a sua eficiência está intimamente relacionada à justiça social. Nem sempre a ação direta será pacifica ou violenta, mas conforme a circunstâncias conjunturais. Podem ser ofensivas ou defensivas, visando o triunfo das reivindicações populares e devem contar sempre com aprovação da população pela conduta, propaganda pela ação. Deve atuar como um processo educacional visando democracia direta. É um princípio tático que desenvolve a prática de liberdade e de iniciativa.

V-Pluralidade de ação:

anarquismo é uma conjunto completo de pensamento, que pode ser aplicado de várias formas, em ações diferentes, mas nunca se deve perder o entendimento que é um conceito singular de aplicação plural, sempre tendo em mente que não se pode oprimir e nem explorar em nome da anarquia. Os métodos libertários são métodos que não toleram o totalitarismo ou parcerias com propostas inimigas como partidos, como vanguardas, com golpistas, com a igreja e qualquer setor reformista que queira manter o Estado ou ter uma organização centralista e autoritária. Que se faça anarquia em várias áreas, de várias maneiras, mas sem se submeter a lógica conservadora, sem fazer aliança, frente ou parceria com nossos inimigos. Inimigo se combate, não se alia!

VI-Antiautoritarismo

Abolir a autoridade como forma de domínio e não autoridade como competência diferenciada dentro de uma sociedade em que esta diversidade exista. Autoridade e hierarquia são modelos estruturais de gesta e controle que criam e recriam diversos problemas dentro da sociedade e para cada um de seus participantes.

VII-Classismo Combativo

É nossa classe em luta, Não queremos que mais gerações sofram e padeçam sobre o jugo da exploração desenfreada.

Para que estas atrocidades cessem, nos organizamos visando nossa emancipação e uma vida de produção, distribuição de forma direta e autogestionária.

A luta de classes existe e seus confrontos se dão diariamente nas relações desiguais da sociedade. Não podemos alimentar o sistema e suas instituições.

O processo de emancipação é eliminar as classes sociais de tal maneira que não assuma mais nenhuma ao poder, logo é necessário suprimir a estrutura de dominação classista e os conflitos gerados a partir dela mesma.

O modelo adotado pelas vanguardas e partidos longe de ser revolucionário, estagna a revolução e estabiliza o modelo estatal (seja comunista, seja capitalista) corrigindo seus abusos. Os sindicatos, importantes espaços de ruptura e reorganização econômica, se tornam órgãos legais que amordaçam os trabalhadores e o fazem trabalhar sem lutar de forma direta por sua emancipação. Alimentam o sistema em vez de destruí-lo. O sindicalismo revolucionário da AIT será o rompimento com isso, nesse caso, trazendo a luta emancipatória de forma direta e libertária.

Devemos reunir a nossa classe e manter a luta emancipatória até não mais existir classes sociais e suas desigualdades.

VIII-Autogestão

É o modelo de gerenciamento em que os envolvidos são mesmo tempo gestores e participantes das atividades previamente desenvolvidas e acordadas em comum. De tal foma que promove a liberdade individual com o compromisso coletivo e não retira do trabalhador seus instrumentos de trabalho e nenhum resultado de sua produção.

IX-Democracia Direta

A palavra final sobre as leis e regras será do povo e do indivíduo em ação em que permitirá a união comunitária em favor do autogoverno. Sem intermediários cujo o papel executivo está restrito a delegação provisório, quando necessário e que agirá sob o controle assembléario. A administração dos assuntos econômicos e sociais é inevitavelmente obra dos grupos locais e funcionais necessários para uma vida descentralizada, autônoma, sem burocracia, simplificando o processo de ação. É importante todos participem e quando se tenha delegados, que sejam provisórios e rotativos, para que todos possam participar dos processos, se educando no modelo assembleário.

E a democracia direta faz parte da estrutura federalista, como também o poder popular que tonará mais rápido o fim da luta de classes.

A democracia se faz com o povo de forma direta, sem intermediários. Assim, as eleições são uma afronta a emancipação de nossa classe e deve ser denunciada como tal, uma instituição que mantém a estrutura de opressão e exploração.

X-Federalismo

O modelo organizacional-político adotado pelo anarquismo.

O federalismo respeita as características de cada região, organização e indivíduo. Sempre mantendo a autonomia dos associados, desenvolve união de ações, trazendo um corpo coeso de ação e luta para todos os associados. Interage e integra as diversas associações, trocando experiências e desenvolvendo a solidariedade revolucionária. Sempre tendo em mente que são as estruturas simples, das pontas da federação que são fundamentais para o desenvolvimento do anarquismo, tendo apoio na democracia direta e no pode popular, gerando uma força de luta ao modelo dominante, mas que não pretende substitui-lo e sim aboli-lo.

XI-Anacionalismo

A luta não pode ser reduzida a um local, mas em todos os locais, em todo mundo, porque a classe oprimida e explorada não se resume a um país, mas está em todos e só com a sua união sem fronteiras, sem barreiras, em uma proposta de emancipação sem meios termos é que de fato se realizará.

Pela emancipação de todas!.

Extraído:

http://anarkio.net/fenikso/index.php/35-art-009

MANIFESTO - JORNADA DE LUTA CONTRA A TORTURA

Estamos atravessando um período sombrio, em que o governo oriundo de um golpe parlamentar tenta fazer passar medidas regressivas que cortam direitos conquistados arduamente pela classe trabalhadora, alguns estabelecidos desde a década de 1940, resultado das lutas sociais iniciadas no começo do século XX. Este governo utiliza-se de uma base parlamentar corrupta, comprada com cargos e favores, exatamente na mesma tradição dos anteriores que criticava.
Desde a última ditadura civil-militar a frágil democracia brasileira não foi suficiente para superar os males de origem do país como o genocídio dos povos indígenas e a perseguição e o controle dos pobres das periferias, especialmente negros, trabalhadores precarizados, desempregados e sem renda formal.
O Judiciário brasileiro tem sido a mão de ferro do encarceramento em massa. Enquanto o Brasil já soma mais de 14 milhões de desempregados, há 700 mil pessoas presas no país, um vergonhoso terceiro lugar depois dos Estados Unidos e da China. O número de mulheres presas pobres e negras só aumenta, sugerindo a "criminalização do gênero" pelo Judiciário. As unidades de privação de liberdade para adolescentes, como a Fundação Casa, estão superlotadas e a tortura é praticada como método de controle.
As chacinas e execuções sumárias de pessoas consideradas arbitrariamente como "suspeitos" continuam e a tortura permanece sendo o método sistemático das polícias para incriminar, montando provas forjadas, inclusive para criminalizar diversos movimentos e organizações sociais e populares que lutam contra este estado de mazelas.
No contexto desse governo oriundo de um golpe parlamentar esses arbítrios perpetrados por policiais e autoridades ligadas à segurança pública multiplicam-se vertiginosamente. A indústria da “guerra às drogas” declarada pelo Estado só fez aumentar a prática da tortura, o encarceramento em massa e a execução sumária. Só para dar um exemplo, de 1º de janeiro deste ano até 5 de abril a polícia de São Paulo matou 247 pessoas. As chacinas de sem terras e de outros trabalhadores do campo aumentaram vertiginosamente. As audiências de custódia implementadas, que visavam fazer os juízes verificarem quais torturas, maus-tratos e arbitrariedades tinham sido cometidas no momento da prisão, não têm dado o resultado esperado porque a maioria dos juízes não interroga o preso de modo que ele possa denunciar o que sofreu até chegar a audiência. As bancadas da bala e medieval dos órgãos legislativos municipal, estadual e nacional incentivam o "linchamento" verbal das populações periféricas, LGBT, especialmente os segmentos travesti e transexual, e dos trabalhadores em geral, concorrendo assim para ampliar o sentimento de ódio contra os pobres.
Defensores de direitos humanos precisam encarar esta realidade: a maioria dos juízes e dos policiais, bem como uma parte da população brasileira, entorpecida diariamente por programas televisivos que estimulam o medo social e a justiça com as próprias mãos apoiam a tortura como método de vingança. É um hábito secular herdado da colonização, aprimorado ao longo do período de escravidão e que se entranhou na mentalidade de parte significativa da população brasileira. Neste atual momento, em que o governo quer implementar medidas que empobrecerão ainda mais os mais pobres, o resultado será que mais pessoas se tornarão vulneráveis à perseguição e à brutalidade policial. Neste contexto, a tortura praticada pelos agentes do Estado torna-se uma perigosa arma de controle social e é o primeiro passo para acontecimentos dramáticos para os pobres, que são a execução sumária ou a prisão em massa.
Por isso, nós, movimentos e organizações sociais e populares, coletivos e grupos autônomos, ativistas culturais e artistas engajados, segmentos dos mais diversos, pessoas comprometidas com a defesa dos direitos humanos que reúne militantes de direitos humanos, ativistas políticos, sociais e pelas liberdades civis, ex-presos e perseguidos políticos, familiares de mortos pela ditadura civil-militar, familiares e vítimas da violência de estado praticada no período de frágil democracia, preocupados com a prática sistemática da tortura e da violência praticada por agentes do Estado, especialmente policiais, vimos exigir um basta de tortura neste 26 de Junho – Dia Internacional de Combate à Tortura!
Exigimos que o governo Alckmin demonstre que não é conivente com a tortura e a violência dos agentes do Estado, instalando imediatamente a Comissão Estadual de Prevenção e Combate à Tortura em São Paulo, composta pela sociedade civil, com plenas condições de atuação efetiva, além de independência e autonomia, conforme previsto em lei!
A tortura é incompatível com a democracia real que queremos.
Somente juntos podemos dar um basta à tortura!
São Paulo, 26 de Junho de 2017.
Apoiam esta iniciativa:
ABRASBUCO - Associação Brasileira de Saúde Bucal Coletiva; ACAT – Ação dos Cristãos pela Abolição da Tortura; Arte na Casa-Ação Educativa; Associação Juízes para a Democracia; Centro de Cultura Social da Favela Vila Dalva; Centro de Direitos Humanos de Sapopemba; Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos; Cia. Kiwi de Teatro; Cia. Madeirite Rosa; Clínica do Testemunho; Coletiva Marãna; Coletivo Contra a Tortura; Coletivo DAR – Desentorpecendo a Razão; Coletivo Luana Barbosa; Coletivo Memória - Associação Paulista de Saúde Pública; Coletivo Perifatividade; Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos; Comissão Justiça e Paz de São Paulo; Cordão da Mentira; Fala Guerreira-Periferia Segue Sangrando; Geledés - Instituto da Mulher Negra; Grudis; Grupo Tortura Nunca Mais de São Paulo; Instituto AMMA Psique e Negritude; Juventude e Resistência Negra Zona Sul; Kazungi - Bloco Afro Percussivo; Kiwi – Companhia de Teatro; Levante Mulher; Marcha das Mulheres Negras de SP; Marcha Mundial das Mulheres; Margens Clínicas; Movimento Negro Unificado; MST - Movimento dos Trabalhadores/as Rurais Sem Terra; Observatório de Violências Policiais de São Paulo; Pânico Brutal; PLENU - Instituto Plena Cidadania; Projetos Terapêuticos; Promotoras Legais Populares de Piracicaba; Promotoras Legais Populares de Sorocaba; Rádio Madalena; Rastilho; Revolta Popular ; Samba Negras em Marcha; SOF – Sempreviva Organização Feminista e União de Mulheres de São Paulo.
Se sua organização tem afinidade com o manifesto que marcará o Dia Internacional de Combate a Tortura, envie uma mensagem para: ruivolopes78@gmail.com

Extraído :

http://anarkio.net/fenikso/index.php/45-manifesto-contra-tortura

segunda-feira, 15 de maio de 2017

NADA DE AUTORIDADE (Proudhon)

     A idéia capital, decisiva, desta revolução não é, com efeito: nada de autoridade, nem na Igreja, nem no Estado, nem na terra, nem na riqueza?
     Ora, nada de autoridade, isso quer dizer o que nunca se viu, o que nunca se compreendeu, harmonia do interesse de cada um com o interesse de todos, identidade da soberania coletiva e da soberania individual.
     Nada de autoridade! Isto é, dívidas pagas, servidões abolidas, hipotecas revogadas, arrendamentos reembolsados, despesas de culto, da Justiça e do Estado suprimidas; crédito gratuito, troca igual, associação livre, preço regulamentado; educação, trabalho, propriedade, domicílio, bons negócios, garantias; nada de antagonismo, nada de guerra, nada de centralização, nada de governos, nada de sacerdotes. A sociedade não saiu esfera, funcionando numa posição invertida, de perna para o ar?
     Nada de autoridade! isto quer dizer novamente o contrato livre em vez da lei absolutista; a transação voluntaria em lugar da arbitragem do Estado; a justiça equitativa e recíproca em lugar da justiça soberana e distributiva; a moral racional em vez da centralização politica. Ainda uma vez mais, não é efetivamente o que eu ousaria chamar uma conversão completa, uma volta sobre si mesma, uma revolução?
     Que distância separa estes dois regimes, pode-se julgar isso pela diferença de seus estilos.
     Um dos momentos mais solenes, na evolução do princípio de autoridade, é o da promulgação do Decálogo. A voz do anjo comanda o povo, prostrado ao pé do Sinai:
     Adorarás o Eterno, Diz-lhe ele, e nada senão o Eterno;
     Não jurarás senão por ele;
     Celebrarás suas festas e lhe pagarás o dizimo;
     Honrarás teu pai e tua mãe;
     Não matarás;
     Não roubarás de modo algum;
     Não fornicarás;
     Não cometerás nada de errado;
     Não serás invejoso e caluniador;
     Porque o Eterno ordena e é o Eterno que fez o que tu és. Somente o Eterno é soberano, sábio, digno; o Eterno pune e recompensa, o Eterno pode te tornar feliz ou infeliz.
     Todas as legislações adotaram este estilo, todas, falando para o homem empregam a fórmula soberana. O hebreu no futuro, o latim no imperativo, o grego no infinitivo. Os modernos não fazem de outro modo: (...) quelquer que seja a lei, de querquer boca que parta, ela é sagrada, visto que foi pronunciada por esta trombeta fatídica que estre nós é a maioria.
     "Não te reunirás;
     "Não imprimirás;
     "Não lerás;
     "Respeitarás teus representantes e teus funcionários que o acaso do escrutínio ou arbítrio do Estado há de te dar:
     "Obedecerás às leis que sua sabedoria há de fazer;
     "Pagarás fielmente o orçamento;
     "E amarás o governo, teu senhor e teu deus, com tua devoção, com tua alma e toda tua inteligência; porque o governo sabe melhor do que tu o que tu és, o que vales, o que te convém e ele tem o poder de te punir aqueles que desobedecem a seus desígnios, como o de recompensar até a quarta geração aqueles que são agradáveis".
     Ó personalidade humana! É possível que durante sessenta séculos tu tenhas te corrompido nesta abjeção! Tu te dizes santa e sagrada e não és senão a prostituída, infatigável, gratuita de teus lacaios, de teus monges e de teus velhos soldados. Tu o sabes e o sofres! Ser governado é ser guardado à vista, inspecionado, espionado, dirigido, legiferado, regulamentado, depositado, doutrinado, instituído, controlado, avaliado, apreciado, censurado, comandado, por outros que não têm nem o titulo, nem a ciência, nem a virtude.
     Ser governado é ser, em cada operação, em cada transação, em cada movimento, notado, registrado, arrolado, tarifado, timbrado, medido, taxado, patenteado, licenciado, autorizado, apostilhado, admoestado, estorvado, emendado, endireitado, adestrado, espoliado, explorado, roubado; depois, à menor resistência, à primeira palavra de queixa, reprimido, corrigido, vilipendiado, vexado, perseguido, injuriado, espancado, desarmado, estrangulado, aprisionado, fuzilado, metralhado, julgado, condenado, deportado, sacrificado, vendido, traído e, para não faltar nada, ridicularizado, zombado, ultrajado, desonrado. Eis o governo, eis sua justiça, eis sua moral! E entre nós democratas que pretendem que o governo prevaleça; socialistas que sustenta esta ignomínia em nome da liberdade, da igualdade e da fraternidade; proletários que admitem sua candidatura à presidência da República! Hipocrisia!... Com a revolução é outra coisa. A busca das causas primeiras e das causas finais é eliminada tanto da ciência econômica como das ciências naturais.
     A ideia de progresso substitui, na filosofia, a do absoluto.
     A revolução sucede à revelação.
     A razão, ajudada pela experiência, explica ao homem as leis da natureza e da sociedade; depois ele diz:
     Estas leis são da própria necessidade. Nenhum homem as fez; nenhum te as impõe. Elas foram descobertas pouco a pouco e eu existo senão para dar-lhe testemunho.
     Se tu as observas, serás justo e bom, se tu as violas, serás injusto e mau. Eu te proponho outra razão (...) tu és livre de aceitar ou de recusar.
     Se tu recusas, fazer parte da sociedade dos selvagens. Fora da comunhão de gênero humano tu se tornas suspeito. Nada te protege. Ao te bater, sem incorrer noutra acusação senão a de sevícias inutilmente exercidas contra um bruto.
     Se tu juras o pacto, ao contrário, tu fazes parte das sociedade dos homens livres. Todos os irmãos se comprometem contigo, te prometem fidelidade, amizade, segurança, favor, troca(...).
     Eis todo o contrato social.

Livro: A Propriedade é um Roubo
Autor: Pierre Joseph Proudhon
Editora: L&PM Pocket
Páginas: 96 á 99
Ano: 2008

10 PROPOSIÇÕES CONTRA A PROPRIEDADE (PROUDHON)

I- A posse individual é a condição da vida social; cinco mil anos de propriedade o demonstram: a propriedade é o suicídio da sociedade. A posse está dentro do direito; a propriedade opõe-se ao direito. Suprimi a propriedade e conservai a posse; e, só com essa alteração no princípio, mudareis tudo nas leis, o governo, a economia, as instituições: expulsareis o mal da terra.

II- Como o direito de ocupar é igual para todo, a posse varia de acordo com o número de possuidores; a propriedade não pode se formar.

III- Como o resultado do trabalho é o mesmo para todos, a propriedade se perde com a exploração estranha e o aluguel.

IV- Como todo trabalho humano resulta necessariamente de uma força coletiva, toda propriedade se torna, pela mesma razão, coletiva e indivisa: em termos mais exatos, o trabalho destrói a propriedade.

V- Como toda capacidade de trabalho constitui, como todo instrumento de trabalho, um capital acumulado, uma propriedade coletiva, a desigualdade de ganho e fortuna, sob pretexto de desigualdade de capacidade, é injustiça e roubo.

VI- O comércio tem como condições necessárias a liberdade dos contratantes e a equivalência dos produtos trocados: ora, como valor tem por expressão a soma de tempo e de despesa que cada produto custa, e sendo a liberdade inviolável, os trabalhadores são necessariamente iguais em salários como são em direitos e deveres.

VII- Os produto só se compram com produtos: ora, como condição de toda troca é a equivalência dos produtos, o lucro é impossível e injusto. Observai esse princípio da mais elementar economia e o pauperismo, o luxo, a opressão, o vício, o crime desaparecerão de entre nós juntamente com a fome.

VIII- Os homens são associados pela lei física e matemática da produção, antes de sê-lo por livre assentimento: portanto, a igualdade das condições é de justiça, isto é, de direito social, de direito estrito; a estima, a amizade, o reconhecimento, a admiração se prendem ao direito equitável ou proporcional.

IX- A associação livre, a liberdade, que se limita a manter a igualdade nos meios de produção e a equivalência nas trocas, é a única forma possível de sociedade, a única justa, a única verdadeira.

X- A política é a ciência da liberdade: o governo do homem pelo homem, não importa o nome com que se disfarce, é opressão; a perfeição máxima da sociedade reside na união da ordem e da anarquia.

domingo, 4 de dezembro de 2016

PRIMEIRO ESTUDO A Reação Determinante á Revolução. (PROUDHON)

1. A Força Revolucionária

     Hoje em dia, de um modo geral, tanto entre homens de opinião avançada como entre conservadores, é uma opinião que uma revolução, corajosamente atacada por sua incipiência, pode ser interrompida, reprimida, desviada ou pervertida; Que apenas duas coisas são necessárias para isso, sagacidade e poder. Um dos mais ponderados escritores de hoje, M. Droz, da Academia Francesa, escreveu um relato especial dos anos do reinado de Luís XVI, durante o qual, segundo ele, a Revolução poderia ter sido antecipada e impedida.
     E entre os revolucionários do presente, um dos mais inteligentes, Blanqui, é igualmente dominado pela idéia de que, com força e habilidade suficientes, o Poder é capaz de conduzir o povo aonde quiser, de esmagar o direito, de aniquilar O espírito da revolução. Toda a política do Tribuna de Belle-Isle - peço a seus amigos que o interpretem em boa parte - bem como a do Acadêmico, brota do medo que tem de ver triunfar a Reação, um medo que eu Não tenho medo de chamar, na minha opinião, ridículo. Assim, a Reação, o germe do despotismo, está no coração de todos; Ela se manifesta no mesmo momento nos dois extremos do horizonte político. Não é menos entre as causas de nossos problemas.
     Pare uma revolução! Isso não parece uma ameaça à Providência, um desafio lançado ao destino inflexível, em uma palavra, o maior absurdo imaginável? Pare a matéria de cair, chama da queimadura, o sol do brilho!
     Tentarei mostrar, pelo que está passando diante de nossos olhos, que assim como o instinto de conservadorismo é inerente em toda instituição social, a necessidade de revolução é igualmente irresistível; Que cada partido político se torne revolucionário e reacionário; Que esses dois termos, reação e revolução, correlativos uns aos outros e mutuamente implicados entre si, são ambos essenciais à Humanidade, não obstante os conflitos entre eles: para que, para evitar as rochas que ameaçam a sociedade à direita e à esquerda , O único caminho é a reação de mudar continuamente de lugar com a revolução; Exatamente o contrário do que o atual Legislativo se orgulha de ter feito. Acrescentar às queixas e, se me permite usar a comparação, engarrafar a força revolucionária pela repressão, é condenar-se a limpar em um limite a distância que a prudência nos aconselha a passar gradualmente e a substituir o progresso por saltos e empurrões Para um avanço contínuo.
     Quem não sabe que os soberanos mais poderosos se fizeram ilustres se tornando revolucionários dentro dos limites das circunstâncias em que viviam? Alexandre da Macedônia, que reuniu a Grécia, Júlio César, que fundou o Império Romano nas ruínas da república hipócrita e venal, Clovis, cuja conversão foi o sinal para o estabelecimento definitivo do cristianismo na Gália e, em certa medida, a causa Da fusão das hordas francesas no oceano galo. Carlos Magno, que iniciou a centralização das terras livres, e marcou o início do feudalismo, Louis o Gordo, querido ao terceiro estado por causa do favor que ele estendeu às cidades, São Luís, que organizou as corporações de artes e ofícios, Louis XI E Richelieu, que completou a derrota dos barões, todos realizaram, em graus diferentes, atos de revolução. Até mesmo o execrável massacre de Bartolomeu foi dirigido contra os senhores, e não contra os reformadores, na opinião do povo, concordando a esse respeito com Catherine de Médicis. Não foi até 1614, na última reunião dos Estados Gerais, que a monarquia francesa parece abjurar sua função de liderança e trair sua tradição: o 21 de janeiro de 1793 foi a pena por seu crime.
     Seria fácil multiplicar exemplos; Qualquer pessoa com o menor conhecimento da história pode fornecê-los.
     Uma revolução é uma força contra a qual nenhum poder, divino ou humano, pode prevalecer: cuja natureza deve ser fortalecida e crescer pela própria resistência que encontra. Uma revolução pode ser dirigida, moderada, retardada: Acabo de dizer que a política mais sábia consiste em ceder a ela, pé a pé, que a perpetua evolução da Humanidade possa ser realizada insensivelmente e em silêncio, em vez de grandes avanços. Uma revolução não pode ser esmagada, não pode ser enganada, não pode ser pervertida, ainda mais, não pode ser conquistada. Quanto mais você a reprime, mais você aumenta sua repercussão e torna sua ação irresistível. De tal modo que é precisamente o mesmo para o triunfo de uma idéia, seja ela perseguida, assediada, espancada durante o seu começo, ou se ela cresce e se desenvolve sem obstruções. Como a Nemesis dos antigos, a quem nem as orações nem as ameaças podem mover-se, a revolução avança, com passo sombrio e fatal, sobre as flores lançadas por seus amigos, através do sangue de seus defensores, através dos corpos de seus inimigos.
     Quando as conspirações chegaram ao fim em 1822, alguns pensaram que a Restauração havia superado a Revolução. Foi nessa época, sob o governo de Villèle, e durante sua expedição a Espanha, foram-lhe lançados insultos. Pobre tolos! A Revolução tinha passado: estava esperando por você em 1830.
     Quando as sociedades secretas foram divididas em 1839, após os ataques de Blanqui e Barbès, novamente se acreditou que a nova dinastia era imortal: parecia que o progresso estava a seu comando. Os anos que se seguiram foram os mais florescentes do reinado. No entanto, foi em 1839 que entre os homens de negócios da coalizão começou uma séria desafectação entre o povo pelo levante do 12 de maio, que terminou nos acontecimentos de fevereiro. Talvez com mais prudência, ou com mais ousadia, a existência da monarquia, que se tornara flagrantemente reacionária, poderia ter sido prolongada por alguns anos: a catástrofe, embora atrasada, teria sido apenas a mais violenta.
     Depois de fevereiro, vimos os jacobinos, os girondinos, os bonapartistas, os orleanistas, os legitimistas, os jesuítas, todos os velhos partidos, eu quase tinha dito facções, que sucessivamente se opuseram à revolução no passado, Derrubaram uma revolução que nem entenderam. Ao mesmo tempo, a coligação estava completa: não me atrevo a dizer que o partido republicano saiu bem. Deixe a oposição continuar, deixe-a persistir: sua derrota será universal. Quanto mais a inevitável derrubada é adiada, mais deve ser pago para o atraso: isso é tão elementar quanto a elaboração das revoluções como um axioma na geometria. A Revolução nunca deixa ir, pela simples razão de que nunca está errado.
     Toda revolução se declara primeiramente como uma queixa do povo, uma acusação contra um estado de coisas vitorioso, que os mais pobres sempre sentem o primeiro. É contra a natureza das massas a revolta, exceto contra o que lhes fere, física ou moralmente. Trata-se de uma questão de repressão, de vingança, de perseguição? Que loucura! Um governo cuja política consiste em escapar aos desejos das massas e reprimir suas queixas, condena-se: é como um criminoso que luta contra seus remorsos cometendo novos crimes. Com cada ato criminoso a consciência do culpado o censura mais amargamente; Até que por fim a sua razão cede, e o vira para o carrasco.
     Há apenas uma maneira, que eu já disse, para afastar os perigos de uma revolução; É reconhecê-lo. As pessoas estão sofrendo e estão descontentes com o seu destino. Eles são como um homem doente gemendo, uma criança chorando no berço. Ir para eles, ouvir seus problemas, estudar as causas e conseqüências deles, ampliar em vez de minimizá-los; Então ocupado-se sem relaxamento em aliviar o sofredor. Então a revolução terá lugar sem perturbação, como o desenvolvimento natural e fácil da antiga ordem das coisas. Ninguém o notará; Dificilmente suspeitar. As pessoas grato chamá-lo-ão seu benfeitor, seu representante, seu líder. Assim, em 1789, a Assembleia Nacional eo povo saudaram Luís XVI como o Restaurador da Liberdade Pública. Naquele momento glorioso, Luís XVI, mais poderoso que seu avô, Luís XV, poderia ter consolidado sua dinastia por séculos: a revolução se lhe ofereceu como instrumento de governo. O idiota podia ver apenas uma invasão de seus direitos! Esta inconcebível cegueira levou consigo ao patíbulo.
     Infelizmente, deve ser que uma revolução pacífica é muito ideal para a nossa natureza belicosa. Raramente os eventos seguem o curso natural e menos destrutivo: os pretextos para a violência são abundantes. Como a revolução tem seu princípio na violência das necessidades, a reação encontra seu próprio princípio na autoridade do costume.
     Sempre o status quo tenta prescrever para a pobreza; É por isso que a reação tem a mesma maioria no início que a revolução tem no final. Nesta marcha em direções opostas, em que a vantagem de um se torna continuamente uma desvantagem para o outro, quanto é de temer que choques ocorrerão! ...
     Duas causas estão contra a realização pacífica das revoluções: os interesses estabelecidos eo orgulho do governo.
     Por uma fatalidade que será explicada a seguir, essas duas causas sempre agem juntas; De modo que a riqueza e o poder, juntamente com a tradição, estão de um lado, a pobreza, a desorganização e o desconhecido do outro, o partido satisfeito não quer fazer qualquer concessão, o insatisfeito não poder se submeter mais, o conflito, pouco a pouco, Torna-se inevitável.
     Então é curioso observar as flutuações da luta, em que todas as oportunidades desfavoráveis ​​parecem ser, primeiramente, para o movimento progressista, todos os elementos de sucesso para a resistência. Aqueles que vêem apenas a superfície das coisas, incapazes de compreender um resultado que nenhuma perspicácia lhes possa ter antecipado, não hesitam em acusar como causa de seu desapontamento, má sorte, o crime deste, a torpeza De que, todos os caprichos da fortuna, todas as paixões da humanidade. As revoluções, que para os contemporâneos inteligentes são monstros, parecem aos historiadores que mais tarde relatam os juízos de Deus. O que não foi dito sobre a Revolução de 89? Ainda temos dúvidas sobre essa revolução, que se afirmou em oito constituições sucessivas, que remodelou a sociedade francesa de baixo para cima e destruiu até mesmo a memória do antigo feudalismo. Nós não cercamos a idéia de sua necessidade histórica: não temos compreensão de suas vitórias maravilhosas. A reação atual foi organizada em parte pelo ódio dos princípios e tendências da Revolução. E entre aqueles que defendem o que foi realizado em 89, muitos denunciam os que o repetirão: tendo escapado, imaginam, por um milagre da primeira revolução, não querem correr o risco de um segundo! Todos estão de acordo, então, com a reação, tão seguros da vitória como eles são de que estão na direita, e multiplicando os perigos ao redor deles pelas mesmas medidas que eles tomam para escapar deles.
     Que explicação, que demonstração pode transformá-los de seu erro se sua experiência não os convencer?
     Vou provar nas diferentes partes deste trabalho, e agora estou prestes a estabelecer da maneira mais triunfante que, há três anos, a revolução foi levada a cabo apenas pelos conservadores vermelhos, tricolores e brancos que a receberam; Quando digo, continuada, uso a expressão no sentido da determinação da idéia, bem como a propagação dos feitos. Não se engane, se a revolução não existisse, a reação a teria inventado. A idéia, vagamente concebida sob o impulso da necessidade, então moldada e formulada pela contradição, logo é afirmada como um direito. E, como os direitos são tão ligados juntos que não se pode negar sem sacrificar ao mesmo tempo todo o resto, o resultado é que um governo reacionário é atraído, pelo fantasma que persegue, para atos arbitrários sem fim e que, em Procurando salvar a sociedade da revolução, interessa a todos os membros da sociedade em revolução. Desta forma, a antiga monarquia, destituindo primeiro Necker, depois Turgot, opondo-se a todas as reformas, insatisfegando o Terceiro Estado, os parlamentos, o clero, a nobreza, criou a Revolução. Quero dizer, a fez entrar no mundo dos fatos - a Revolução, que desde então não cessou de crescer em extensão e em perfeição, e de estender suas conquistas.

2. Progresso Paralelo da Reação e da Revolução desde fevereiro

     Em 1848, a classe baixa, de repente participando da disputa entre a classe média e a Coroa, fez ouvir seu grito de angústia. Qual foi a causa de sua angústia? Falta de trabalho, disse. O povo exigia trabalho, o protesto não avançava. Abraçaram a causa republicana com ardor, aqueles que acabavam de proclamar a República em seus nomes, tendo prometido lhes dar trabalho. Sem uma melhor segurança, o povo aceitou um projecto na República. Isso era suficiente para fazê-lo tomá-los sob sua proteção. Quem teria acreditado que no dia seguinte aqueles que tinham assinado o acordo só pensavam em queimá-lo? O trabalho, e através do trabalho, pão, esta foi a petição das classes trabalhadoras em 1848; Esta foi a inabalável base dada por eles à República; Esta é a Revolução.
     Outra coisa foi a proclamação da República, em 25 de fevereiro de 1848, a ação de uma minoria mais ou menos inteligente, mais ou menos usurpadora; E ainda outra, a questão revolucionária do trabalho, que deu a esta república um interesse, e só lhe deu valor real, aos olhos das massas. Não, a República de Fevereiro não foi a revolução; Era o penhor da revolução. Não é dever daqueles que governam esta República, do mais alto ao mais baixo, ver que a promessa não é quebrada: é para o povo, na próxima eleição, determinar em que outras condições eles a aceitarão.
     No início, essa demanda de trabalho não parecia exorbitante para os novos funcionários, dos quais até então ninguém se importava com a economia política. Pelo contrário, era o tema de mútuas felicitações. O que era um povo que, no dia do seu triunfo, não pedia nem pão nem diversões, como antigamente a multidão romana exigira --panem et circenses-- mas só pedia trabalho! Que garantia entre as classes trabalhadoras da moralidade, da disciplina, da docilidade! Que garantia de segurança para um governo! Com a maior confiança e, deve-se admitir, com as intenções mais louváveis, o Governo Provisório proclamou o direito ao trabalho! Suas promessas, sem dúvida, testemunharam sua ignorância, mas a boa intenção estava ali. E o que não pode ser feito com o povo francês pela manifestação de boas intenções? Não havia neste momento um empregador tão mal-humorado que ele não estava disposto a dar trabalho a todos, se o poder lhe fosse concedido. O direito ao trabalho! O Governo Provisório reivindicará da posteridade a glória desta fatídica promessa, que confirmou a queda da monarquia, sancionou a República e tornou a Revolução certa.
     Mas fazer promessas não é tudo: eles devem ser mantidos.
     Olhando mais de perto, é fácil ver que o direito ao trabalho era um negócio mais cócegas do que se suspeitava. Depois de muito debate, o Governo, que gastou 300 milhões de dólares anualmente para preservar a ordem, foi forçado a admitir que não havia mais um centavo para ajudar os trabalhadores; Que para empregá-los e, conseqüentemente, para pagá-los, seria necessário impor impostos adicionais, criando um círculo vicioso, porque esses impostos deveriam ser pagos por aqueles a quem se destinavam a ajudar. Além disso, não era o negócio do Estado competir com a indústria privada, para a qual já faltava o consumo e era exigida uma saída; E, ainda mais, para que o Estado participe na produção só poderia acabar por agravar a condição dos trabalhadores. Em conseqüência, por essas razões, e para outras não menos peremptórias, o Governo entendeu que nada podia ser feito, que era preciso resignar-se, manter a ordem, ter paciência e confiança!
     Deve-se admitir que o governo teve razão em certa medida. Para assegurar o trabalho e, em conseqüência, a troca, para todos, torna-se necessário, como vamos mostrar, mudar o curso e modificar a economia da sociedade; Um assunto sério, muito além do poder do Governo Provisório, e sobre o qual se tornou seu dever consultar o País como preliminar. Quanto aos planos propostos, e às conferências semi-oficiais com as quais a falta de trabalho dos trabalhadores foram enganados, merecem a honra, nem de registro, nem de crítica. Eram tantos pretextos de conservadorismo, que logo se mostraram, mesmo no seio do Partido Republicano.
     Mas o erro dos homens no poder, que exasperou a classe operária, e que transformou uma questão trabalhista simples em menos de dez anos em uma revolução definida, foi quando o governo, em vez de convidar as pesquisas de publicistas, como fez Luís XVI, De apelar aos cidadãos e pedir-lhes os seus desejos sobre as grandes questões do trabalho e da pobreza, encerrou-se durante quatro meses num silêncio hostil; Quando se observava que hesitava em conceder os direitos naturais dos homens e dos cidadãos, desconfiar da liberdade, da liberdade de imprensa e da assembléia, recusar as petições dos patriotas relativas às fianças e ao imposto de selo, espionar os clubes em vez disso De organizá-los e dirigi-los, criar para a emergência da guarda voluntária um corpo de pretorianos, intrigar com o clero, recordar as tropas a Paris, para fraternizar com o povo, despertar o ódio contra o socialismo, o novo nome para a revolução; Então, seja por imprudência, por incapacidade, por infortúnio, por conspiração e por traição, ou por todos estes, para forçar multidões sem dinheiro em Paris e em Rouen a uma luta desesperada; Finalmente, após a vitória, ter apenas um pensamento, uma idéia, sufocar o grito dos trabalhadores, o protesto de fevereiro, por qualquer meio, legal ou ilícito.
     Basta olhar a série de decretos do Governo Provisório e do Comitê Executivo para convencer-se de que durante esse período de quatro meses a repressão foi planejada, preparada, organizada e a revolta foi provocada, direta ou indiretamente, pelo Poder.
     Esta política reacionária, que nunca se esquece, foi concebida no seio do Partido Republicano, por homens assustados com a memória de Hébert, de Jacques Roux, de Marat, e que acreditavam em boa-fé para ajudar a Revolução Combatendo todas as manifestações até o limite. Foi o zelo governamental que dividiu os membros do Governo Provisório em duas facções opostas, levando alguns a desejar um conflito aberto contra a Revolução, para que pudessem governar através do prestígio dado pela vitória; Outros preferem a demonstração de força superior e as distrações da política e da guerra, para restaurar o silêncio tornando a agitação cansativa e fútil. Poderia ter sido de outra forma? Não, porque cada sombra de opinião considerava seu emblema como o da verdadeira República e se dedicava patrioticamente à destruição de seus rivais, a quem considerava demasiado moderada ou demasiado extrema. A Revolução não podia deixar de ser apanhada entre esses rolos: era muito pequena, então e muito baixa para ser percebida por seus formidáveis ​​guardiões.
     Lembro-me destas ocorrências, não do prazer vazio de estigmatizar homens que eram mais mal-aconselhados do que culpados, e que o curso das coisas, ao que me parece, foi restaurado ao poder: mas lembrar-lhes que, à medida que a Revolução os derrotou Uma vez, os superará uma segunda vez, se persistirem no curso da desconfiança e da difamação secreta que até então adotaram para ela.
     Assim, por meio do preconceito governamental e da tradição proprietária, de que a união íntima constitui toda a teoria política e econômica do antigo liberalismo, o Governo - não faço ilusão aos indivíduos, entendo por esta palavra a soma dos poderes, antes de junho e depois - O Governo, repito, por seu ódio a certos utópicos, mais ruidosos do que perigosos, acreditava ter o direito de reter a questão mais importante das sociedades modernas, embora a justiça e a prudência exigissem um apelo ao país sobre as exigências da classe trabalhadora . Esse foi o seu erro; Que seja também uma lição.
     A partir desse momento, reconheceu-se que a República, seja de ontem ou de 93, jamais poderia ser, no século XIX, a mesma coisa que a Revolução. E se o Socialismo, tão caluniado naquela época pelas próprias pessoas que, desde então, reconhecendo seu erro, vieram por sua vez pedir sua aliança, se o socialismo, eu digo, tivesse despertado essa disputa, se, em nome dos enganados Trabalhadores, da Revolução traída, que se pronunciara contra a República, Jacobino ou Girondino, é tudo o mesmo, esta República teria sido oprimida na eleição de 10 de Dezembro, a Constituição de 1848 teria sido apenas uma transição para Império. O socialismo tinha pontos de vista mais elevados; Com o consentimento unânime sacrificou suas próprias queixas, e deu a sua voz para o governo republicano. Por isso aumentou o seu perigo, por enquanto, em vez de se fortalecer. O que se segue mostrará se suas táticas eram sábias.
     Assim, a batalha uniu-se entre interesses poderosos, hábeis e inexoráveis, que aproveitaram as tradições de 89 e 93, e uma revolução ainda no berço, dividida contra si mesma, honrada por nenhum antecedente histórico, sem nenhuma fórmula antiga , Movido por nenhuma idéia definida.
     Na verdade, o que coroava o perigo do socialismo, era que não podia dizer o que era, não podia formular uma única proposição, não podia explicar suas queixas nem apoiar suas conclusões. O que é Socialismo? foi perguntado. E vinte definições diferentes de uma vez vied em mostrar o vazio da causa. Fato, direito, tradição, senso comum, tudo unido contra ele. Além disso, havia esse argumento, irresistível com um povo criado no culto dos antigos revolucionários - um culto que ainda se murmura entre eles - de que o socialismo agora não é o de 89 nem de 93, que não data de O grande período que Mirabeau e Danton teriam desprezado, que Robespierre teria guillotinado, depois de tê-lo marcado, que é o espírito revolucionário depravado, a política de nossos ancestrais extraviados! ... Se nesse momento o Poder tivesse encontrado um Homem que pudesse entender a Revolução, poderia ter moderado seu ímpeto a seu gosto, aproveitando o pequeno favor que encontrou. A Revolução, se tivesse sido acolhida pelas classes dominantes, teria se desenvolvido lentamente durante um século, em vez de se precipitar com a velocidade do cavalo de corrida.
     As coisas não poderiam acontecer assim. As idéias são definidas por seus contrários: a Revolução será definida pela reação. Falta-nos fórmulas: o Governo Provisório, o Comité Executivo, a ditadura de Cavaignac, a Presidência de Louis Bonaparte, se comprometeram a fornecê-los para nós. A loucura dos governos faz a sabedoria dos revolucionários: sem esta legião de reacionários que passou sobre nossos corpos, não poderíamos dizer, meus amigos socialistas, quem somos nem para onde estamos ligados.
     Mais uma vez declaro que não faço nenhuma acusação contra as intenções de ninguém. Pretendo acreditar ainda na bondade das intenções humanas: sem ela, o que se torna da inocência dos estadistas, e por que abolimos a pena de morte em casos políticos? Logo a reação vai cair; Seria sem justificação moral e sem razão, não faria nada para a nossa educação revolucionária, se seus representantes, segurando todo tipo de opiniões, não formassem uma corrente contínua, que se estendesse desde o pico da Montanha, Legitimistas extremos.
     É o caráter da Revolução do século XIX que se separa, dia a dia, dos excessos de seus adversários e dos erros de seus defensores; De modo que ninguém pode se gabar de ter sido perfeitamente ortodoxo em cada momento da luta. Todos nós, seja o que for que tenhamos sido, falhamos em 1848; E é precisamente por isso que fizemos tantos progressos desde 1848.
     Apenas o sangue derramado no caso de junho se secou, ​​quando a Revolução, vencido nas ruas, começou a trovejar nos jornais e nas reuniões populares, mais explícita e mais acusadora do que nunca. Três meses não haviam passado quando o governo, surpreso com essa indomável persistência, exigiu novas armas à Assembléia Constituinte. O motim de junho não tinha sido posto, afirmou: sem uma lei contra a liberdade de imprensa e contra as reuniões públicas, não poderia ser responsável por manter a ordem e preservar a sociedade.
     É da essência da reação mostrar suas tendências ruins sob a pressão da revolução. Os ministros de Cavaignac disseram em voz alta o que um certo membro do Governo Provisório, agora reintegrado a favor do povo, pensara em suas confidências secretas.
     Mas também é natural que os partidos vencedores se juntem à oposição; Portanto, o socialismo poderia contar com pelo menos alguns de seus antigos adversários fazendo causa comum com ele. Isso foi realmente o que aconteceu.
     Os mecânicos, juntamente com muitos comerciantes, continuaram a exigir trabalho. Negócios não foi bom; Os camponeses queixavam-se de rendas mais elevadas e do baixo preço dos produtos agrícolas; Aqueles que combateram a insurreição e se pronunciaram contra o socialismo, exigiram como subsídio de recompensa para o presente imediato e garantias para o futuro. O governo podia ver em tudo isso nada além de uma epidemia transitória, o resultado de circunstâncias infelizes, uma espécie de cólera-morbus intelectual e moral, que deve ser tratado com sangramento e sedativos.
     Nisso, o governo se viu impedido por limitações! A lei já não bastava para a sua protecção; Ele deve ter regra marcial. O socialismo, pelo contrário, declarou-se republicano, e se colocou sobre a lei, da maneira mais inquietante, como dentro de uma fortaleza. Foi assim que, em todos os esforços de reação, a lei foi sempre com os revolucionários e contra os conservadores. Nunca foi tão má sorte. O dito de um ministro da antiga monarquia, Legalidade é a nossa ruína! Tornou-se verdadeira novamente sob o governo republicano. Ou a lei deve ser abolida, ou a revolução deve avançar!
     As leis repressivas foram concedidas, e várias vezes tornadas mais rigorosas. Enquanto escrevo, a liberdade de reunião foi abolida; A imprensa revolucionária não existe mais. Que fruto o governo obteve com essa medicação antiflogística?
     Em primeiro lugar, a exigência de liberdade de imprensa se uniu à asserção do direito ao trabalho. A revolução acrescentou a todos os velhos amigos da liberdade pública, que se recusam a acreditar que a mordaça da imprensa era um remédio para o contágio das idéias. Então, como a propaganda através da imprensa tinha sido suspendida, a propaganda pelo boca a boca começou; Isto é, o método revolucionário mais forte se opôs à violência da reação. Em dois anos, a Revolução abriu caminho através desta conversa íntima de um povo inteiro, do que poderia ter feito em um século por dissertações diárias. Enquanto a reação faz a sua vingança sobre o tipo, a revolução ganha pela palavra falada: o doente que deveria ter sido curado da febre, é dilacerado por convulsões!
     Não são estes os fatos? Não somos todos testemunhas diárias deles? Ao atacar, uma após a outra, todas as formas de liberdade, a reação não reafirmou tão frequentemente a revolução? E não é a história contemporânea, esse romance que me parece estar escrevendo, do qual o absurdo supera em muito os de Perrault? A Revolução nunca prosperou tanto quanto os mais eminentes estadistas conspiraram contra ela, e seus órgãos desapareceram do palco. Além disso, tudo o que se empreenda contra a Revolução o fortalecerá: citemos apenas os fatos principais.
     Em poucos meses, a doença revolucionária havia infectado dois terços da Europa. Seus principais centros eram Roma e Veneza, na Itália, e Hungria além do Reno. O Governo da República Francesa, para reprimir a Revolução em casa com mais segurança, não hesitou em fazer uma conquista estrangeira. A Restauração tinha feito a guerra espanhola contra os liberais: a Reação de 1849 fez a expedição a Roma contra a Social-Democracia - emprego estas duas palavras como indicando o progresso que a Revolução havia feito em um ano. Certos descendentes de Voltaire, herdeiros dos jacobinos, podiam qualquer outra coisa esperar dos acólitos de Robespierre ?, tinham concebido a idéia de trazer ajuda ao Papa, e assim unir a República eo Catolicismo: os jesuítas a realizaram. Vencido em Roma, a social-democracia tentou protestar em Paris: estava dispersa sem luta.
     O que a Reação ganhou? Ao ódio dos reis no coração do povo foi acrescentado o ódio dos sacerdotes; E a guerra contra a autoridade governamental em toda a Europa foi complicada pela guerra contra a autoridade religiosa. Em 1848, a única questão, disseram os médicos, era de excitação política: muito em breve, pela futilidade dos remédios, tornou-se uma questão econômica; Agora é chamado religioso. A medicina não é inútil? Que outra medicina podemos usar?
     Evidentemente, foi um caso em que os políticos do menor senso comum teriam retrocedido: foi exatamente neste momento que eles escolheram para impulsionar a reação ao máximo. Não, disseram eles, uma nação não tem o direito de se envenenar, de se assassinar. O governo tem o cuidado de sua alma: seus deveres são os do guardião e do pai. A segurança do povo é a lei mais elevada. Faça o que você deveria, venha o que vier!
     Resolveu-se que o País deveria ser purgado, sangrado, cauterizado até o limite. Um vasto sistema sanitário foi organizado e seguido com uma devoção que teria feito honra aos apóstolos. Hipócrates, salvando Atenas da peste, não parecia mais magnífico. A constituição, o eleitorado, a guarda nacional, os conselhos municipais, a universidade, o exército, a polícia as cortes, tudo foram passados ​​através das chamas. O mundo dos negócios, esse eterno amigo da ordem, era acusado de inclinações liberais e envolvido nas mesmas suspeitas que as classes trabalhadoras. O governo chegou a dizer, por boca de M. Rouher, que não se considerava tão sã, que sua origem era uma mancha, que trazia em si o veneno revolucionário: Ecce in iniquitatibus conceptus sum! ] ... Então começou a trabalhar.
     A instrução, baseada na razão, por professores seculares selecionados por exame, não podia ser dependida. O Governo considerou essencial colocar o ensino sob a autoridade da Fé. Foi anunciado ao mundo que a instrução, como a imprensa, não era mais livre, pela sujeição dos professores primários aos sacerdotes e aos irmãos leigos, entregando os Colégios da Cidade aos Congregacionistas, colocando o ensino público O clero, por assombrosas demissões de professores após a sua denúncia por bispos. O que o governo ganhou com esse tratamento? Por seu aborrecimento jesuítico, jogou-os todos na Revolução, homens dedicados como estavam à educação da juventude, sem nada de tímido,
     Então foi a vez do exército.
     Vindo do povo, recrutado todos os anos de entre eles, em contato perpétuo com eles, nada teria sido menos certo do que sua obediência, em face de um povo despertado e constituição violada. Foi prescrita uma dieta intelectual, juntamente com o isolamento completo, ea proibição do pensamento, da conversação e da leitura sobre temas políticos e sociais. Assim que o menor sinal de contágio apareceu em um regimento, que foi imediatamente purificado, retirado da capital e de centros populosos, e enviado como disciplina para a África. É difícil descobrir o que o soldado pensava: pelo menos é certo que o tratamento a que foi submetido há mais de dois anos lhe provou, de forma inequívoca, que o Governo não queria nem a República nem a Constituição, Nem a liberdade, nem o direito ao trabalho, nem o sufrágio universal; Que o plano dos ministros era restabelecer a velha ordem na França, como eles tinham restabelecido o governo dos sacerdotes em Roma, e que eles contavam com ele! ... O soldado suspeito engolirá essa dose? O Governo assim o espera; essa é a questão! ...
     Foi à Guarda Nacional que o partido da ordem devia seus primeiros sucessos, em abril, maio e junho de 1848. Mas a Guarda Nacional, embora abortasse o motim, não tinha idéia de ajudar a contra-revolução. Mais de uma vez disse isso. Dizia-se que estava doente. De todos os cuidados do Governo, o que mais ocupa sua atenção é a dissolução, ou pelo menos o desarmamento, da Guarda Nacional, gradualmente, não de uma só vez, isso não faria. Contra uma Guarda Nacional armada, organizada, pronta para a batalha, a sabedoria reacionária não conhece proteção. O governo não pode acreditar-se seguro desde que um único soldado do cidadão permaneça em France. Guardas Nacionais! Você não pode ser virado da liberdade e do progresso, avançar para a Revolução!
     Como todos os monomaníacos, o governo é perfeitamente lógico em sua idéia. Segue com pontualidade maravilhosa e perserverance. Compreendia perfeitamente que a cura da nação e da Europa, de que se havia constituído o médico, não chegaria ao ponto em que as eleições populares pudessem ser eliminadas e que o infeliz paciente, enlouquecido por seus remédios, Poderia quebrar seus laços, dominar seus guardas, e em uma hora de loucura pode destruir o fruto de três anos de tratamento. Já uma maioria imponente, ao votar sobre a questão eleitoral, em março e abril de 1850, votara a favor da revolução - monarquia ou república - isto é, revolução ou status quo. Como afastar tal perigo e salvar o povo de seu próprio frenesi?
     É necessário agora, dizem os wiseacres, prosseguir indiretamente. Vamos separar as pessoas em duas categorias, a que compreende os cidadãos que, de sua posição, são presumidos como os mais revolucionários; Devem ser excluídos do sufrágio universal; O outro, todos aqueles que, por sua posição, estão mais inclinados a manter as coisas como estão: estes formarão o corpo eleitoral. O que dizer disso, que por essa supressão teremos eliminado três milhões de pessoas das listas de votação, se os sete milhões restantes aceitarem seus privilégios? Com sete milhões de eleitores e o exército, temos certeza de vencer a revolução; E religião, e autoridade, e família, e propriedade, são salvos!
     Vinte e sete notabilidades da ciência política e moral, diziam eles, estavam presentes nessa consulta de homens de habilidade consumada em combater revolução e revolucionários. A portaria foi apresentada à Assembleia Legislativa e foi confirmada no dia 31 de maio.
     Infelizmente era impossível fazer uma lei de privilégio que também deveria ser uma lista de suspeitos. A lei de 31 de maio, cortando à direita e à esquerda quase igualmente entre os socialistas e conservadores, só serviu para provocar a revolução mais, tornando a reação odiosa. Entre os sete milhões de eleitores que mantiveram, talvez quatro milhões pertencessem à democracia. Acrescente a estes três milhões de descontentes que foram excluídos e você terá a força relativa da revolução e da contra-revolução, pelo menos no que diz respeito ao privilégio eleitoral. Além disso, veja a loucura disso! Foram apenas os eleitores do partido de ordem, a favor dos quais a lei do dia 31 de maio havia sido retirada, que foram os primeiros a denunciá-la: culpam-na por todos os seus males presentes e pelos maiores males que eles Antecipar no futuro; Eles estão exigindo alto a sua revogação em seus jornais. E a melhor razão para crer que esta lei nunca será executada é que é perfeitamente inútil, o interesse do Governo é, antes, retirar-se do seu apoio do que defendê-lo. Isso é o suficiente de blundering e escândalo?
     A reação fez a revolução crescer como em um viveiro durante os últimos três anos. Por sua política, primeiramente equívoca, depois virada, finalmente abertamente absolutista e terrorista, criou um partido revolucionário inumerável, onde antes não se podia contar um homem. E, bom Deus! Qual era o uso de toda essa arbitrariedade? Para que fim toda essa violência? Contra quem colocar a queixa? Que monstro, inimigo da civilização e da sociedade, procuravam combater? Alguém sabia se a Revolução de 1848 estava certa ou errada? Essa revolução que nunca se definiu? Quem o estudou? Quem, com a mão sobre o coração, poderia acusá-la? Deplorável alucinação! Sob o Governo Provisório eo Comitê Executivo, o partido revolucionário não existia, exceto no ar: a idéia dele, com suas fórmulas místicas, ainda não havia sido descoberta. Por sua declaração contra este espectro, a reação converteu o espectro em um corpo vivo, um gigante, que com um único gesto pode esmagá-lo. Aquilo que eu mesmo mal podia conceber antes do dia de junho; Que desde então cheguei a compreender apenas gradualmente, e sob o fogo da artilharia reaccionária, ouso agora afirmar com certeza: a Revolução tomou forma, compreende-se, é completada.

3. Fraqueza da Reação: Triunfo da Revolução.

     E agora, reacionários, você está reduzido a medidas heróicas. Você tem levado a violência a um ponto onde você é odiado, o despotismo para onde você está desconfiado, o abuso de seu poder legislativo até a deslealdade. Você prodigalizou desprezo e ultraje: buscou sangue e guerra civil. Tudo isso produziu tanto efeito sobre a Revolução como uma flecha sobre um rinoceronte. Aqueles que não te odeiam, desprezam você. Eles estão errados: vocês são pessoas honestas, cheias de tolerância e filantropia, movidas pelas melhores intenções, mas sua mente e consciência estão de cabeça para baixo. Eu ignoro tudo o que você pode resolver, se você continuar a atacar a revolução, ou determinar a tratar com ele, como eu espero que você vai fazer. Mas se você selecionar o curso anterior, eu lhe direi o que você deve fazer; Vocês mesmos podem julgar o que vocês esperam.
     As pessoas, segundo vocês, são afetadas pela alienação mental. É sua missão ucre-los: segurança pública é a sua única lei, o seu dever mais elevado. Como você é responsável perante a posteridade, você se desonraria abandonando o posto em que a Providência o colocou. Você está no direito; Você tem a força; Sua resolução é clara.
     Todos os métodos regulares do governo ter falhado, sua política adicional é compreendida em uma palavra: FORÇA.
     Força, a fim de evitar que a sociedade cometer suicídio; Isso significa que você deve pôr fim a cada manifestação revolucionária, a todo pensamento revolucionário, que você deve colocar a nação em um casaco de ferro, segurar os vinte e seis departamentos em estado de sítio, suspender as leis em geral em todos os lugares, atacar o mal Na sua origem, deportando do país e da Europa os autores e fomentadores de idéias anárquicas e anti-sociais, preparam-se para a restauração das antigas instituições, conferindo ao Governo poder discricionário sobre a propriedade, a indústria e o comércio, etc., até uma cura perfeita É efetuada.
     Não negociar sobre o governo absoluto: não disputa sobre a escolha de um ditador. Monarquia legítima, metade legítima, uma combinação de partidos, imperialismo, revisão total ou parcial da Constituição, tudo isso, creia-me, não tem importância. A ação mais rápida é a mais segura. Lembre-se que não é a forma de governo que está em questão: é a sociedade. Seu único cuidado deve ser tomar suas medidas com prudência; Porque se no último momento a Revolução se afasta de você, você está perdido.
     Se o príncipe que está agora no poder fosse presidente vitalício, se ao mesmo tempo a Assembléia, incerta dos eleitores, pudesse prorregar-se como a Convenção costumava fazer, até a convalescença do inválido, a solução talvez pareça ser Descoberto. O Governo só teria que ficar quieto e celebrar missas em todas as igrejas da França, para a restauração da saúde do Povo. Não haveria necessidade de fazer nada contra a insurreição. A legalidade, nesta terra de jornalistas, é tão poderosa, que não há opressão, nem ultraje, que não estamos prontos para suportar, tão logo eles nos falem Em Nome da Lei.
     Mas pelos termos do acordo fundamental, Louis Bonaparte deixa o escritório no fim de abril de 1852; Quanto à Assembleia, os seus poderes expiram em 29 de Maio seguinte, no auge do ardor revolucionário. Tudo está perdido se as coisas seguirem como a Constituição prescreve. Não perca um momento: conselhos Caveant!
     Então como a Constituição é agora a causa de todo o perigo, como não há solução legal possível, como o Governo não pode contar com o apoio de qualquer parte da nação, como a gangrena envolveu tudo, você deve tomar conselho apenas de vocês E da imensidão de seus deveres, sob pena de perda e covardia.
     Em primeiro lugar, a Constituição deve ser revista por você, por autoridade; Ao mesmo tempo Louis Bonaparte deve ser prorrogado em seus poderes, por autoridade.
     Esta prorrogação não será suficiente, pois as eleições de 1852 podem dar uma Assembléia demagógica, da qual o primeiro ato será o impeachment do Presidente reeleito e seus ministros. Portanto, o Presidente, ao mesmo tempo que é prorrogado pela Assembléia, prorrogará a Assembléia por sua vez, e pela autoridade
     Após estes primeiros atos de ditadura, os Conselhos Gerais e Municipais, devidamente renovados, serão convidados a enviar sua adesão, sob pena de dissolução imediata e de despacho de comissários.
     É provável que esta dupla prorrogação do presidente e da Assembleia seja seguida de alguma perturbação; É um risco para ser executado, uma batalha para se juntar, uma vitória para ganhar.

Conquistar sem perigo é triunfar sem glória.

     Decidir.
     Então você deve abolir o sufrágio universal, assim como a lei do 31 de maio, e retornar ao sistema de M. Villèle e ao voto dobro; Melhor ainda, suprimir todo o sistema representativo, aguardando a reclassificação da nação em ordens ea restauração do feudalismo numa base mais sólida.
     Suponhamos então que a Revolução, tão violentamente provocada, não tropeça, ou que, se tropeça, é esmagada; Suponha que os duzentos representantes republicanos não respondam aos actos usurpadores da maioria por uma declaração de que são ilegais, preparados, assinados e publicados com antecedência; Que, após esta declaração, os autores do golpe de Estado não são atingidos na rua, em suas casas, em qualquer lugar onde a mão vingadora de bandos patrióticos possa alcançá-los; Suponha que a população não se eleva em massa, em Paris e nas províncias; Que uma parte das tropas, sobre a qual a reação deposita suas esperanças, não se junta aos insurgentes; Suponha que dois ou trezentos soldados sejam suficientes para deter os revolucionários de trinta e sete mil cidades, às quais o golpe de Estado servirá de sinal; Suponha que, sem alívio, a recusa de pagar impostos, a interrupção do trabalho, a interrupção do transporte, a devastação, as conflagrações, toda a fúria prevista pelo autor de O Espectro Vermelho, não bloqueiam a contra-revolução por sua vez; Suponha que seja suficiente para o chefe do poder executivo, eleito por quatrocentos conspiradores, para os oitenta e seis prefeitos, os quatrocentos e cinqüenta e nove subprefectos, os procuradores gerais, os presidentes, os conselheiros, os suplentes, os capitães de Polícias, comissários de polícia e alguns milhares de notabilidades seus cúmplices, para se apresentarem às massas para fazê-las retornar ao seu dever.
     Suponhamos, digamos, que qualquer uma dessas conjecturas, tão provável, tão provável, não seja realizada, será necessário, se você espera que seu trabalho permaneça:
     1º Declarar o estado de sítio geral, absoluto e por tempo ilimitado;
     2º Decretar a deportação além dos mares de cem mil indivíduos;
     3º Dobrar a força efetiva do exército e mantê-la constantemente em pé de guerra;
     4º Aumentar as guarnições e a polícia, armar todas as fortalezas, construir em cada distrito um forte castelo, interessar os militares na reação, tornando o exército uma casta dotada e enobrecida, que pode se recrutar em parte;
     5º Para reorganizar as pessoas em corporações de artes e ofícios, ninguém acessível a qualquer outro; Para suprimir a livre concorrência; Para criar no comércio, na indústria, na agricultura, na propriedade, nas finanças, numa classe comercial privilegiada, que unirá as mãos com a aristocracia do exército e da Igreja;
     6º Expurgar ou queimar nove décimos dos livros nas bibliotecas, livros de ciência, filosofia e história; Para acabar com todos os vestígios do movimento intelectual por quatro séculos; Comprometer a direção dos estudos e os arquivos da civilização exclusivamente para os jesuítas;
     7º Aumentar os impostos duzentos milhões de dólares e emitir novos empréstimos para cobrir essas despesas e erigir um privilégio especial e inalienável para o apoio da nova nobreza, bem como das igrejas, seminários e conventos etc e etc.,etc.
     Esse é um esboço da política e das medidas de organização e repressão que a reação deve adotar para realizar o que empreendeu, se quiser ser lógico e seguir sua fortuna até o fim. Constitui uma regeneração social que leva a civilização de volta ao século XIV e restaura o feudalismo, com a ajuda dos novos elementos fornecidos pelo espírito moderno e pela experiência das revoluções. Vacilar ou parar a meio caminho seria perder desgraçadamente o fruto de três anos de esforço, e correr para um desastre certo e irreparável!
     Você já pensou nisso, reacionários? Você considerou o poder que foi adquirido pela Revolução através de três anos de pressão? Você já percebeu que o monstro cresceu suas garras e dentes e que se você não pode estrangulá-lo ele vai devorá-lo?
     Se a reação contar com a prudência do país, e esperar pelas eleições de 1852, ela se perde. Sobre este ponto, quase todos concordam, tanto no governo quanto entre o povo, republicanos ou conservadores.
     Se se limita a prorrogar os poderes do Presidente, está perdido.
     Se, depois de ter prorrogado os poderes da Assembléia pelo mesmo decreto, permite que a lei de 31 de maio fique em pé, ela se perde.
     Se permitir que os cem mil socialistas republicanos mais ativos permaneçam no país, ele se perde.
     Se permitir que a atual fraqueza numérica do exército, e seu modo atual de recrutamento para ficar, é perdido.
     Se, depois de ter restaurado a casta militar, não consegue reconstruir a indústria eo comércio sobre os princípios feudais, está perdido.
     Se não restabelecer grandes propriedades e o direito de primogenitura, é perdido.
     Se não reformar completamente o sistema de instrução e de educação pública, se não apagar a memória das insurreições passadas da mente do povo, ela se perde.
     Se não duplicar os impostos e conseguir recolhê-los, para cobrir as despesas de tais grandes empreendimentos, está perdido.
     Você é capaz de tentar até mesmo a primeira dessas medidas indispensáveis, de que uma única omissão vai mergulhar você no abismo? Você se atreve a proclamar ao povo esta resolução inconstitucional: Os poderes de Louis Bonaparte foram prorrogados?
     Não, você não pode fazer nada, não pode ousar nada, royalistas, imperialistas, bancocratas, malthusianos, jesuítas, que usaram e abusaram da força contra idéias. Você desperdiçou tempo e perdeu sua reputação, sem vantagem para sua segurança.
     Prorogo ou não; Revisar tudo ou revisar nada; Convocar Chambord e Joinville, ou vir à República; Tudo isso não significa nada. Você vai realizar uma Convenção Nacional, se não em 1852, em seguida, em 1856. A idéia revolucionária é triunfar; A fim de combatê-lo, você não tem outro recurso senão a lei republicana, que você não cessou por três anos para violar. Seu único refúgio está naquela república de brincadeira, que em 1848 foi forçada a ser honesta e moderada, como se pudesse existir honestidade e moderação onde faltava o princípio - aquela república cuja nudez ignominiosa você está exibindo agora ao mundo. Você não a vê, chamando-lhe e estendendo as mãos para você, às vezes sob a aparência dos sentimentos mais pacíficos, às vezes sob a máscara das orações mais infladas. Vá então, para esta república - esta república constitucional, parlamentar e governamental, impregnada de jacobinismo e de religião, que não é menos governada pela fórmula da contra-revolução, se invoca o nome de Sièyes, ou apela à de Robespierre . Depois que você tiver esgotado a violência, o engano permanece para você: nisso também estamos prontos para conhecê-lo.
     Mas aos republicanos de fevereiro digo, a esse partido que, sem distinguir matizes de opinião, a Revolução pode reprovar alguns erros, mas não o crime:
     Foi você que deu o sinal da reação em 1848, pelas suas rivalidades ambiciosas, pela sua política rotineira, pelas suas fantasias retrospectivas, quase no mesmo momento em que propôs a questão revolucionária, desconhecida para vocês mesmos.
     Você vê o que a reação fez.
     Antes da batalha de junho, a Revolução quase não tinha consciência de si mesma; Era apenas uma aspiração vaga entre as classes trabalhadoras em direção a uma condição menos infeliz. Tais queixas foram ouvidas em cada período; Se era um erro desprezá-los, era desnecessário temê-los.
     Graças à perseguição que sofreu, a Revolução de hoje é plenamente consciente de si mesma. Ele pode dizer o seu propósito: está no caminho de se definir, de se explicar. Conhece seus princípios, seus meios, seu objetivo; Possui seu método e seu critério. Para se entender, basta seguir a conexão das idéias de seus diferentes adversários. Neste momento está descartando as doutrinas errôneas que o obscureceram: livre e brilhante, você está prestes a vê-lo tomar posse das massas, e levá-los para o futuro com inspiração irresistível.
     A Revolução, no ponto em que chegamos, é completada em pensamento e só precisa ser executada. É tarde demais para dar vazão à mina: se o poder que voltou para suas mãos mudasse sua política para a Revolução, não obteria nenhum resultado, a menos que mudasse seus princípios ao mesmo tempo. A Revolução, eu acabei de lhe dizer, cresceu os dentes: a Reação tem sido apenas um ajuste de doença de dentição para ele. Deve ter alimentos sólidos: alguns fragmentos de liberdade, algumas concessões aos interesses que representa, só servirá para aumentar a sua fome. A Revolução significa existir, e existir, para ela, é reinar.
     Você está disposto então a servir esta grande causa; Para dedicar-se, coração e alma, à Revolução?
     Podem, ainda há tempo, tornar-se novamente os chefes e reguladores do movimento, salvar o seu país de uma grave crise, emancipar as classes populares sem agitação, fazer-se árbitros da Europa, decidir o destino da civilização e da humanidade.
     Sei bem que esse é o seu fervoroso desejo; Mas não falo de desejo, quero atos - promessas.
     Promessas para a Revolução, não harangues; Planos para a reconstrução econômica, não teorias governamentais: é isso que as classes mais baixas querem e esperam de vocês. Governo! Ah! Ainda teremos o suficiente, e para poupar. Saiba bem que não há nada mais contra-revolucionário do que o Governo. Qualquer que seja o liberalismo que pretenda, qualquer que seja o nome que assumir, a Revolução o repudia: seu destino é absorver-se na organização industrial.
     Fale então, por uma vez, francamente, jacobinos, girondinos, montanhistas, terroristas, indulgentes, que todos mereceram a mesma culpa e todos precisam de igual perdão. Fortuna novamente favorecendo você, qual curso você vai seguir? A questão não é o que você teria feito em uma ex-exigência: a questão é o que você vai fazer agora, quando as condições não são mais as mesmas.Você apoiará a Revolução - sim ou não?

Extraído:
Livro: Idée Générale de la Révolution au XIX Siècle
Autor: P.-J. Proudhon
Editora: C. Marpon Et E. Flammarion, Editeu RS
Ano: 1851
Pagina: 7 á 35