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segunda-feira, 26 de junho de 2017

REALISMO MORAL E REALISMO SOCIAL ( Parte 1)

1.- MORAL E REALISMO MORAL
     Expliquei na teoria, que tentei apresentar, do progresso, como o progresso tinha o seu princípio na justiça, como na justiça como em qualquer outro desenvolvimento politico, econômico, literário, filosófico, se tornaria subversivo e dissolvente, e ainda, como ideal nos fôra dado para nos levar a justiça; mais expliquei como, se este mesmo ideal, em vez de servir auxiliar e de instrumento de direito, fosse, ele próprio, tomado como regra e objetivo da vida, haveria imediatamente, para a sociedade, decadência e morte. Numa palavra: à justiça, subordinei o ideal. (Pornocratie, cap. V)
     A moral é o conjunto das normas que têm como objetivo a perseverança na justiça. É noutros termos, o sistema de justificação, a arte de o homem se tornar santo e puro pelas obras, ou seja, ainda é sempre: o progresso ... (Philos. du Progrês, 1.º estudo.)
     Não são os homens que governam as sociedades, mas os princípios; na falta de princípios, são as situações.
     A França perdeu os seus costumes.
     Pelo cepticismo, o atrativo puramente moral do casamento, da geração, da família, o atrativo do trabalho e da cidade, uma vez perdidos, dá-se a dissolução do ser social... Ciência e consciência da justiça... eis o que falta.

A. CIÊNCIA E CONSCIÊNCIA DA JUSTIÇA
     Para formar uma família, para que o homem e a mulher encontre alegria e a calma a que aspiram, sem quais aproximados apenas pelo desejo, eles  nunca estarão sempre incompletamente unidos, é precisa uma fé conjugal, entendendo eu por isso uma ideia da sua dignidade mútua...
     Do mesmo modo para formar uma sociedade, para dar aos interesses das pessoas e das famílias a segurança - que é a sua primeira necessidade, sem a qual o trabalho não se aceita, a troca dos produtos e dos valores se torna uma burla, a riqueza uma cilada para quem a possui - é preciso aquilo que eu chamaria uma fé jurídica...
     Do mesmo modo ainda, para formar um Estado, para conferir ao poder adesão e estabilidade, é precisa um fé política, sem a qual os cidadões, entregues às puras atrações do individualismo, não sabiam, seja o que for fizessem, ser outra coisa que não fosse um agregado de exigências incoerentes e repulsivas... É pois preciso que a Justiça, nome pelo qual designamos está parte da moral que caracteriza o indivíduo em sociedade, para se tornar eficaz, seja mais uma ideia, é preciso que seja ao mesmo tempo uma realidade. É preciso que ela aja não só como noção da razão, relação econômica, fórmula de ordem, mas ainda como força da alma, forma dá vontade, energia interior, instinto social, análogo para o homem aquele instinto comunista que observamos nas abelhas. Há razões para se pensar que, se a Justiça permaneceu até hoje impotente, é porque, como faculdade, força motriz, a menosprezamos completamente, porque desprezamos a sua cultura, porque ela não caminhou, no seu desenvolvimento, ao passo da inteligência; enfim, porque a tomamos por uma fantasia da nossa imaginação ou impressão misteriosa duma vontade estranha. É preciso pois que ela apareça finalmente como o princípio, o meio e o fim, a explicação e a sanção do nosso destino. (Justice, Philips. Popular.)
B. A moral, realidade social

     Imanência e realidade da justiça na humanidade, tal é o grande ensinamento... A moral... Expressão da liberdade e da dignidade humana, existe por si própria; ela não depende de nenhum princípio; domina toda a doutrina, toda a teoria...
     É no comando da vossas ideias e até a prova dá vossa certeza...
     A justiça e em vós ao mesmo tempo realidade é pensamento soberano... ( Lá Guerre et la Paix, concl. geral.)
     A moral-e a sua correlativa, a estética — é coisa Sui generis: não é um produto do pensamento puro ou da razão, como a teologia... É uma revelação que a sociedade, o coletivo, faz ao homem, ao indivíduo. — Tornar-se Impossível deduzir a moral, quer da higiene, quer da economia, quer da metafísica ou teodiceia, como o fizeram, sucessivamente, os materialistas, os utilitaristas, os cristãos dogmáticos, tais como Bossuet, etc. A moral resulta doutra coisa. Esta outra coisa, a que uns chamam consciência, outros razão prática, etc., é, para mim, a essência social, o ser coletivo que nos contém e que, pela sua influência, pelas suas revelações completa a constituição da nossa alma...
     Não comentam essa grande imoralidade de fazer da moral uma coisa noológica. Seriam forçados, mais tarde ou mais cedo, a reconhecer que essa pretensa moral não tem, nem o princípio, nem o valor, nem o objetivo, nem função. (Lettre à Cournot, 31 de Outubro de 1853.)

C. Estética e moral social

     
Aquilo que a moral revela à consciência sob a forma de normas, a estética, tem por objetivo mostrá-la aos sentidos sob a forma de imagens... São dois aspectos da nossa educação, ao mesmo tempo, sensíveis e intelectuais, que se tocam na consciência e que só diferem no órgão ou na  faculdade que lhes serve de veículo. Aperfeiçoar-se pela justiça... desenvolvendo-a na sua verdade integra, tal é o objetivo indicado ao homem pela moral. Aperfeiçoar-se pela Arte, depurando incessantemente, à semelhança da nossa alma, as formas que nos rodeiam, tal é o objetictivo da estética. (Philos. du Prog., 2º lettre.)
     O que é arte e qual é o seu objetivo social?
     Uma representação idealista da natureza e de nós próprios, com fim ao aperfeiçoamento físico e moral  da nossa espécie...(Du Principe de I'Art, cap. XII.)
     O objetivo da Arte é ensinar-nos a juntar o agradavel ao util, em todas as coisas da nossa existência, e através disso, contribuir para a nossa dignidade.(Du Principe de I'Art, cap. XXIII.)
     A Arte, isto é, a procura do belo, a perfeição do verdadeiro no homem, na mulher e nos filhos; nas ideias, discursos, ações; nos produtos: tal é a ultima evolução do trabalhador... A estética e, acima da estética, a moral: eis a pedra angular do edifício economico. (Contr. Êcon., Cap XIII.)
     A Arte, como a literatura, é a expressão da sociedade, e quando não existe o seu aperfeiçoamento, existe a sua ruína. (Pr. Art., cap. X.) A Arte deve participar no movimento da sociedade, provoca-lo e seguilo. Foi por ter menosprezado este destino da Arte, por ter reduzido somente a expressão deuma realidade quimérica, que a Grécia perdeu a compensação das coisas e o captro das ideias. (Philos. du Prog., 2ª lettre.)
     É possível uma estética, uma teoria da arte?
     -A Arte é a própria liberdade, restabelecendo à sua vontade, e em vertude da sua própria glória, a fenomenalidade das coisas, executando variações sobre o tema concreto da natureza.
     -A Arte, assim como a liberdade, tem pois como materia o homem e as coisas; como objetivo, reproduzi-lo ultrapassando-os; como fim ultimo, a justiça.
     -Para decidir da beleza das coisas - noutros termos: para as idealizar - é preciso conhecer as relações entre as coisas... o ideal é dado pelo real; ele tem a sua base, a sua causa, a sua força de desenvolvimento real, no real.
     -A Arte é solidária com a ciência e a justiça: eleva-se com elas e declina ao mesmo tempo que elas. (Justice, Prog.et Décadence.)

D. Sanção moral e solidariedade social

     Em virtude da solidariedade moral que une os homens, é raro que um acto de prevaricação seja completamente isolado e que o prevaricador não tenha por cúmplice, direto ao indireto, a sociedade e as suas instituições. Somos todos, uns mais outros menos, culpados uns para com os outros, e o que diz Job não é verdadeiro: pecador perante Deus, estou inocente perante os homens. Nesta comunidade consciência, sendo a Justiça recíproca, é-o também a sanção; a reparação deve comportar-se do mesmo modo. Quais são as causas, os pretextos, se tal quisermos, que arrastaram o acusado? que injustiça, que tolerância, que favor o provocou? que mau exemplo lhe foi dado? que omissão, que contradição do legislador atormentou a sua alma? De que ofensas,  - seja parte da sociedade, seja da parte dos particulares - Se lamenta ele? quais as vantagens, dependentes da vontade pública, de que não goza?... Eis o que o Juiz de instrução deve investigar, com tanto cuidado como as próprias circunstâncias do crime ou delito...(Justice, Sanction morale.)

Extraído:

Livro: A Nova Sociedade
Autor: Proudhon
Editora: Rés (colecção Substância)
Paginas: 257 á 262

Sobre princípios anarquistas

O processo de organização revolucionário é desenvolvido ao longo das gerações, as vezes mesmo tendo que começar quase do zero.
Em muitos casos é a repressão ou mesmo profundas divergências que não resolvidas da forma libertária, leva a dissolução dos grupos e o afastamento dos indivíduos do anarquismo. Isso só leva a reforçar a necessidade e convicção de não aceitar o estado de exploração e opressão reinante e nem a submissão aos grupos dominantes de esquerda ou direta, que sustentam modelos autoritários e centralistas.

Afirmamos que nossos princípios são compromissos de luta de nossa classe, dos oprimidos e explorados. Oriundas desses grupos, sofremos a miséria e estamos indignadas com essa situação e nos organizamos para o enfrentamento, de modo a não abrir mão do anarquismo e nem dos princípios que o caracteriza.

A luta de emancipação de obra de todas, unamo-nos!

I-Luta Popular:

Os diversos conflitos que se fazem nesse país é uma luta de classes opostas, com interesses opostos (pessoas dominantes X pessoas dominadas).

Não se trata de uma luta relacionada ao nacionalismo, mas sim contra uma burguesia e elites agrárias, urbanas e econômicas que exploram a população trabalhadora e oprimem os grupos populares. O conflito é social, é uma questão social e diante do avanço popular, de suas demandas, a burguesia reage cada vez mais violentamente.

Portanto a luta popular só terá apoio das classes que se opõem à opressão, que são do próprio povo.

A luta popular acontece quando no processo de resistir, barrar e acabar com a exploração dos grupos privilegiados, o povo se compõem em força política. Estabelece em grupo de forma organizada como resposta à repressão, reunindo esforços para difundir, por todos os atos, a idéia revolucionária a toda classe oprimida e explorada, inclusive aos que estejam iludidos com a validade e eficácia do modelo legal estatal.

As táticas e estratégias devem atender aos objetivos definidos pelo povo, por nossa classe. O meio que esta se desenvolve refletirá no final almejado, por isso é importante manter os meios e o fim almejado. Não adotamos qualquer meio para chegar a um fim, por que isso é um beco sem saída. Queremos liberdade já e não como um fim, já faz parte do meio de se chegar a ela. Com escravidão não se chega a liberdade!

II-Apoio Mutuo

Cada um tem necessidades que nem sempre são atendidas por sua própria capacidade, por isso é importante a ajuda e apoio dos outros para realização e satisfação de suas necessidades.

Geralmente isso leva as pessoas se unirem, a se associarem para buscar satisfazer suas necessidades. A união de indivíduos diferentes somam forças e aumentam as possibilidades de ação mutua, de um apoiar o outro, fortalecendo a relação. O apoio mútuo não significa a formação de uma hierarquia e nem abuso entre os participantes., porque todos estão em pé de igualdade, são cooperadores, são companheiros de luta.

Em modelos autoritários, a cooperação não existe em sua amplitude, mantendo a hierarquia e centralismo de ação, a manutenção da desigualdade e apego ao individualismo egoísta, que isola cada um e cria competição entre os participantes.

O princípio de apoio mutuo luta contra as condições desfavoráveis de classe ( e mesmo de espécies) e devem ser levadas sem restrição em favor da ajuda mutua para alcançar experiências intelectuais e de hábitos sociais em concepção moral e ética libertária.

III- Solidariedade Revolucionária

Se pretendemos a emancipação de todos, devemos ter em conta que temos um inimigo comum para resistir. Logo é necessário estabelecer múltiplas atividades humanas, constituídas de forma coordenada e solidária.

Com essas ações, se desenvolve a luta contra a opressão e exploração, reforçando o processo emancipatório da proposta revolucionária.

Isso se dá em meio a um compromisso com a luta libertária, com o anarquismo, com seus princípios e a convicção de liberdade para todos, sem exceção. Essa solidariedade deve crescer acima do processo do capital, trazendo uma reeducação para a vida coletiva entre iguais.

Não se pode se conformar com a situação e sempre buscar a melhoria de todos. A solidariedade é o auxílio econômico, político, moral e humano. Em muitos períodos da história, a solidariedade “revolucionária” das classes exploradas tem-se feito presente na conquista de seus direitos, na melhoria de suas condições de vida contra a exploração patronal, do estado e toda espécie de exploração. Como na greve geral de 1917, quando as organizações se solidarizaram para conquistar seus direitos. Como nos quilombos, onde negros, índios e caboclos se solidarizaram na luta por liberdade. Atualmente, as resistências contra as desocupações violentas e arbitrárias da PM, unem vizinhos na luta por sua moradia.

No decorrer da história, a união solidária da classe explorada a torna mais firme e ciente de sua luta e na busca de sua emancipação.

IV-Ação Direta

É a ação exercida pelos oprimidos. É o esforço direto, que cada indivíduo exerce de forma direta contra e sobre as forças que o domina sem intervenção de “atravessadores de qualquer espécie” (políticos, parlamentares, líderes, chefias …), a pressão necessária para obter o que lhe é devido.

Significa a reação constante dos oprimidos contra a ordem atual criando próprios meios de ação. Rebela-se contra a sociedade de cidadãos, até seu produtor. Envolve então a personalidade humana e sua iniciativa, opondo-se à força conservadora da democracia representativa e ao caráter passivo e imobilizador da democracia burguesa.

Deve também conquistar o acordo com outros indivíduos e grupos de ação direta na sua conjuntura. Porém ela será intensa ou será reduzida segundo os acordos, recursos e a necessidade real de cada região.

A ação direta deve manter-se em constante oposição frente ao opressor, incorporando métodos revolucionários e de negação ao colaboracionismo pelego, a harmonia social do capital. A colaboração com os reformistas significa enfraquecer a luta popular de emancipação. A ação intrinsecamente relacionados aos fins e que os procedimentos finalistas podem podem prejudicar o conjunto de novas ações em médio e a longo prazo. Portanto deve haver o bom senso nas ações que comprometam a luta libertário e a união do MLB.

Trata-se de um passo importante para formação de uma dignidade coletiva, à medida que o povo tem o direito de exercer o seu desenvolvimento. Serve-se para solução de conflitos e a sua eficiência está intimamente relacionada à justiça social. Nem sempre a ação direta será pacifica ou violenta, mas conforme a circunstâncias conjunturais. Podem ser ofensivas ou defensivas, visando o triunfo das reivindicações populares e devem contar sempre com aprovação da população pela conduta, propaganda pela ação. Deve atuar como um processo educacional visando democracia direta. É um princípio tático que desenvolve a prática de liberdade e de iniciativa.

V-Pluralidade de ação:

anarquismo é uma conjunto completo de pensamento, que pode ser aplicado de várias formas, em ações diferentes, mas nunca se deve perder o entendimento que é um conceito singular de aplicação plural, sempre tendo em mente que não se pode oprimir e nem explorar em nome da anarquia. Os métodos libertários são métodos que não toleram o totalitarismo ou parcerias com propostas inimigas como partidos, como vanguardas, com golpistas, com a igreja e qualquer setor reformista que queira manter o Estado ou ter uma organização centralista e autoritária. Que se faça anarquia em várias áreas, de várias maneiras, mas sem se submeter a lógica conservadora, sem fazer aliança, frente ou parceria com nossos inimigos. Inimigo se combate, não se alia!

VI-Antiautoritarismo

Abolir a autoridade como forma de domínio e não autoridade como competência diferenciada dentro de uma sociedade em que esta diversidade exista. Autoridade e hierarquia são modelos estruturais de gesta e controle que criam e recriam diversos problemas dentro da sociedade e para cada um de seus participantes.

VII-Classismo Combativo

É nossa classe em luta, Não queremos que mais gerações sofram e padeçam sobre o jugo da exploração desenfreada.

Para que estas atrocidades cessem, nos organizamos visando nossa emancipação e uma vida de produção, distribuição de forma direta e autogestionária.

A luta de classes existe e seus confrontos se dão diariamente nas relações desiguais da sociedade. Não podemos alimentar o sistema e suas instituições.

O processo de emancipação é eliminar as classes sociais de tal maneira que não assuma mais nenhuma ao poder, logo é necessário suprimir a estrutura de dominação classista e os conflitos gerados a partir dela mesma.

O modelo adotado pelas vanguardas e partidos longe de ser revolucionário, estagna a revolução e estabiliza o modelo estatal (seja comunista, seja capitalista) corrigindo seus abusos. Os sindicatos, importantes espaços de ruptura e reorganização econômica, se tornam órgãos legais que amordaçam os trabalhadores e o fazem trabalhar sem lutar de forma direta por sua emancipação. Alimentam o sistema em vez de destruí-lo. O sindicalismo revolucionário da AIT será o rompimento com isso, nesse caso, trazendo a luta emancipatória de forma direta e libertária.

Devemos reunir a nossa classe e manter a luta emancipatória até não mais existir classes sociais e suas desigualdades.

VIII-Autogestão

É o modelo de gerenciamento em que os envolvidos são mesmo tempo gestores e participantes das atividades previamente desenvolvidas e acordadas em comum. De tal foma que promove a liberdade individual com o compromisso coletivo e não retira do trabalhador seus instrumentos de trabalho e nenhum resultado de sua produção.

IX-Democracia Direta

A palavra final sobre as leis e regras será do povo e do indivíduo em ação em que permitirá a união comunitária em favor do autogoverno. Sem intermediários cujo o papel executivo está restrito a delegação provisório, quando necessário e que agirá sob o controle assembléario. A administração dos assuntos econômicos e sociais é inevitavelmente obra dos grupos locais e funcionais necessários para uma vida descentralizada, autônoma, sem burocracia, simplificando o processo de ação. É importante todos participem e quando se tenha delegados, que sejam provisórios e rotativos, para que todos possam participar dos processos, se educando no modelo assembleário.

E a democracia direta faz parte da estrutura federalista, como também o poder popular que tonará mais rápido o fim da luta de classes.

A democracia se faz com o povo de forma direta, sem intermediários. Assim, as eleições são uma afronta a emancipação de nossa classe e deve ser denunciada como tal, uma instituição que mantém a estrutura de opressão e exploração.

X-Federalismo

O modelo organizacional-político adotado pelo anarquismo.

O federalismo respeita as características de cada região, organização e indivíduo. Sempre mantendo a autonomia dos associados, desenvolve união de ações, trazendo um corpo coeso de ação e luta para todos os associados. Interage e integra as diversas associações, trocando experiências e desenvolvendo a solidariedade revolucionária. Sempre tendo em mente que são as estruturas simples, das pontas da federação que são fundamentais para o desenvolvimento do anarquismo, tendo apoio na democracia direta e no pode popular, gerando uma força de luta ao modelo dominante, mas que não pretende substitui-lo e sim aboli-lo.

XI-Anacionalismo

A luta não pode ser reduzida a um local, mas em todos os locais, em todo mundo, porque a classe oprimida e explorada não se resume a um país, mas está em todos e só com a sua união sem fronteiras, sem barreiras, em uma proposta de emancipação sem meios termos é que de fato se realizará.

Pela emancipação de todas!.

Extraído:

http://anarkio.net/fenikso/index.php/35-art-009

MANIFESTO - JORNADA DE LUTA CONTRA A TORTURA

Estamos atravessando um período sombrio, em que o governo oriundo de um golpe parlamentar tenta fazer passar medidas regressivas que cortam direitos conquistados arduamente pela classe trabalhadora, alguns estabelecidos desde a década de 1940, resultado das lutas sociais iniciadas no começo do século XX. Este governo utiliza-se de uma base parlamentar corrupta, comprada com cargos e favores, exatamente na mesma tradição dos anteriores que criticava.
Desde a última ditadura civil-militar a frágil democracia brasileira não foi suficiente para superar os males de origem do país como o genocídio dos povos indígenas e a perseguição e o controle dos pobres das periferias, especialmente negros, trabalhadores precarizados, desempregados e sem renda formal.
O Judiciário brasileiro tem sido a mão de ferro do encarceramento em massa. Enquanto o Brasil já soma mais de 14 milhões de desempregados, há 700 mil pessoas presas no país, um vergonhoso terceiro lugar depois dos Estados Unidos e da China. O número de mulheres presas pobres e negras só aumenta, sugerindo a "criminalização do gênero" pelo Judiciário. As unidades de privação de liberdade para adolescentes, como a Fundação Casa, estão superlotadas e a tortura é praticada como método de controle.
As chacinas e execuções sumárias de pessoas consideradas arbitrariamente como "suspeitos" continuam e a tortura permanece sendo o método sistemático das polícias para incriminar, montando provas forjadas, inclusive para criminalizar diversos movimentos e organizações sociais e populares que lutam contra este estado de mazelas.
No contexto desse governo oriundo de um golpe parlamentar esses arbítrios perpetrados por policiais e autoridades ligadas à segurança pública multiplicam-se vertiginosamente. A indústria da “guerra às drogas” declarada pelo Estado só fez aumentar a prática da tortura, o encarceramento em massa e a execução sumária. Só para dar um exemplo, de 1º de janeiro deste ano até 5 de abril a polícia de São Paulo matou 247 pessoas. As chacinas de sem terras e de outros trabalhadores do campo aumentaram vertiginosamente. As audiências de custódia implementadas, que visavam fazer os juízes verificarem quais torturas, maus-tratos e arbitrariedades tinham sido cometidas no momento da prisão, não têm dado o resultado esperado porque a maioria dos juízes não interroga o preso de modo que ele possa denunciar o que sofreu até chegar a audiência. As bancadas da bala e medieval dos órgãos legislativos municipal, estadual e nacional incentivam o "linchamento" verbal das populações periféricas, LGBT, especialmente os segmentos travesti e transexual, e dos trabalhadores em geral, concorrendo assim para ampliar o sentimento de ódio contra os pobres.
Defensores de direitos humanos precisam encarar esta realidade: a maioria dos juízes e dos policiais, bem como uma parte da população brasileira, entorpecida diariamente por programas televisivos que estimulam o medo social e a justiça com as próprias mãos apoiam a tortura como método de vingança. É um hábito secular herdado da colonização, aprimorado ao longo do período de escravidão e que se entranhou na mentalidade de parte significativa da população brasileira. Neste atual momento, em que o governo quer implementar medidas que empobrecerão ainda mais os mais pobres, o resultado será que mais pessoas se tornarão vulneráveis à perseguição e à brutalidade policial. Neste contexto, a tortura praticada pelos agentes do Estado torna-se uma perigosa arma de controle social e é o primeiro passo para acontecimentos dramáticos para os pobres, que são a execução sumária ou a prisão em massa.
Por isso, nós, movimentos e organizações sociais e populares, coletivos e grupos autônomos, ativistas culturais e artistas engajados, segmentos dos mais diversos, pessoas comprometidas com a defesa dos direitos humanos que reúne militantes de direitos humanos, ativistas políticos, sociais e pelas liberdades civis, ex-presos e perseguidos políticos, familiares de mortos pela ditadura civil-militar, familiares e vítimas da violência de estado praticada no período de frágil democracia, preocupados com a prática sistemática da tortura e da violência praticada por agentes do Estado, especialmente policiais, vimos exigir um basta de tortura neste 26 de Junho – Dia Internacional de Combate à Tortura!
Exigimos que o governo Alckmin demonstre que não é conivente com a tortura e a violência dos agentes do Estado, instalando imediatamente a Comissão Estadual de Prevenção e Combate à Tortura em São Paulo, composta pela sociedade civil, com plenas condições de atuação efetiva, além de independência e autonomia, conforme previsto em lei!
A tortura é incompatível com a democracia real que queremos.
Somente juntos podemos dar um basta à tortura!
São Paulo, 26 de Junho de 2017.
Apoiam esta iniciativa:
ABRASBUCO - Associação Brasileira de Saúde Bucal Coletiva; ACAT – Ação dos Cristãos pela Abolição da Tortura; Arte na Casa-Ação Educativa; Associação Juízes para a Democracia; Centro de Cultura Social da Favela Vila Dalva; Centro de Direitos Humanos de Sapopemba; Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos; Cia. Kiwi de Teatro; Cia. Madeirite Rosa; Clínica do Testemunho; Coletiva Marãna; Coletivo Contra a Tortura; Coletivo DAR – Desentorpecendo a Razão; Coletivo Luana Barbosa; Coletivo Memória - Associação Paulista de Saúde Pública; Coletivo Perifatividade; Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos; Comissão Justiça e Paz de São Paulo; Cordão da Mentira; Fala Guerreira-Periferia Segue Sangrando; Geledés - Instituto da Mulher Negra; Grudis; Grupo Tortura Nunca Mais de São Paulo; Instituto AMMA Psique e Negritude; Juventude e Resistência Negra Zona Sul; Kazungi - Bloco Afro Percussivo; Kiwi – Companhia de Teatro; Levante Mulher; Marcha das Mulheres Negras de SP; Marcha Mundial das Mulheres; Margens Clínicas; Movimento Negro Unificado; MST - Movimento dos Trabalhadores/as Rurais Sem Terra; Observatório de Violências Policiais de São Paulo; Pânico Brutal; PLENU - Instituto Plena Cidadania; Projetos Terapêuticos; Promotoras Legais Populares de Piracicaba; Promotoras Legais Populares de Sorocaba; Rádio Madalena; Rastilho; Revolta Popular ; Samba Negras em Marcha; SOF – Sempreviva Organização Feminista e União de Mulheres de São Paulo.
Se sua organização tem afinidade com o manifesto que marcará o Dia Internacional de Combate a Tortura, envie uma mensagem para: ruivolopes78@gmail.com

Extraído :

http://anarkio.net/fenikso/index.php/45-manifesto-contra-tortura